quarta-feira, 17 de junho de 2009

A última carta de Vieira

Obra feita e recuperação da credibilidade bancária. São estas as grandes armas de Luís Fiipe Vieira para a sua segunda recandidatura à presidência do Sport Lisboa e Benfica. Nos últimos anos podemos juntar-lhe o sucesso com as camadas jovens e as modalidades.

Será esta a última oportunidade de Vieira acrescentar sucesso desportivo à fantástica recuperação das infraestruturas que protagonizou. Hoje o Benfica tem um estádio moderno e ao nível dos melhores do mundo, a que se junta um centro de treinos de alto rendimento. Mas os títulos escasseiam. Nos seis anos que já leva como presidente apenas se estreou na conquista das principais competições nacionais (1 Campeonato, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça e 1 Taça da Liga). Manifestamente pouco, sobretudo para os exigentes adeptos benfiquistas, para quem investiu milhões em dezenas de jogadores, aos quais se soma um farto rol de treinadores.

E é esta instabilidade, traduzida em falta de liderança, que levou a que se tivessem perfilado, nos últimos meses, rostos de oposição ao reinado vigente. Farto de críticas e de acusações à sua direcção, pelo menos a avaliar pelas suas palavras, Vieira deu um murro na mesa e demitiu-se, assim como todos os órgãos sociais do clube. Uma decisão surpreendente e cujos valores éticos podem, e devem, ser colocados em causa. Mas não demoveu os principais opositores, e o Movimento Benfica, Vencer, Vencer e Bruno Carvalho, rosto do Porto Canal, vão avançar mesmo para candidaturas.


A demissão relâmpago levou a que fossem antecipadas as eleições de Outubro para 3 de Julho próximo. Uma data que afasta opositores, como José Veiga. Uma decisão surpreendente e que vai decerto deixar pouca, ou nehuma, margem de manobra a Luís Filipe Vieira para justificar um eventual mau desempenho do novo técnico, Jorge Jesus. É hoje apresentado e carrega desde já um pesado fardo.

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