À hora em que me encontro a escrever este artigo já votaram cerca de 13 mil sócios para a presidência do Sport Lisboa e Benfica, naquela que é talvez as eleições mais conturbadas de sempre. Luís Filipe Vieira e Bruno Carvalho são os candidatos únicos. Lamentavelmente, no último mês discutiram mais um com o outro do que propriamente o Benfica.Tudo começou de forma inquinada, logo a partir do momento em que a direcção de Luís Filipe Vieira decidiu demitir-se em bloco e provocar assim eleições antecipadas para hoje, 3 de Julho, e não para Outubro, como referem os estatutos. Resultado: duras críticas à democracia no Benfica e ao suposto 'apego ao poder' de Luís Filipe Vieira, acusado de manobrar a data das eleições e afastar a concorrência da possibilidade de se prepararem condignamnete para as eleições. A oposição fez-se representar em dois blocos: o 'Movimento Benfica Vencer Vencer' e Bruno Carvalho, representado hoje pela Lista B.
Depois do flop José Eduardo Moniz, o 'Movimento' decidiu abandonar a corrida, por não reunir condições nem tempo para preparar a candidatura. Emergiu Bruno Carvalho para uma corrida a dois, um rosto da oposição à actual direcção demissionária nos últimos tempos. Os trâmites legais da decisão de Vieira cedo foram colocados em causa e levados até ao final. Uma providência cautelar levada a cabo por Bruno Carvalho retirou legitimidade legal à lista de Vieira para as eleições. Vilarinho, o ainda apresidente da Mesa da Assembleia Geral, não desarmou e autorizou o presidente demissionário a avançar. Vieira também não se intimidou com a decisão judicial e manteve-se firme, apelando ainda ao voto em massa. Algo que se está a confirmar... Finalmente hoje, o Tribunal Cível considerou 'imprudente' a providência cautelar, ilibou a candidatura de Vieira e multou Bruno Carvalho em 190€!
É obra. Também hoje, o candidato da Lista B foi votar ao Estádio da Luz e foi vaiado pelos sócios benfiquistas, naquilo que considerou como uma ameaça intimidatória. Por outro lado, Luís Filipe Vieira chegou e saiu do recinto como vitorioso, 'levado ao colo' pelos associados, que parecem não ter dúvidas sobre quem eleger.
Durante a campanha, ambos cometerm erros graves, com destaque para Bruno Carvalho, que manifestou em cada aparição pública um forte desconhecimento da mentalidade benfiquista e incoerências fatais. Recordando algumas afirmações do próprio, foi mais ou menos isto. 'Jorge Jesus sairá do Benfica no dia seguinte à minha eleição, Carlos Azenha é o meu treinador, o melhor da sua geração'; 'Saviola veio passar férias para o Benfica'; 'Dadas as condições Jorge Jesus vai manter-se no cargo e Rui Costa será convidado para conselheiro do presidente, tal como Zidane no Real Madrid'. Tiros nos pés.
Vieira também o fez, referindo-se a Jesus como o melhor treinador português e prometendo vitórias atrás de vitórias. Um discurso popular mas que dá resultado. É um facto.
Não concordando com a forma como todo o processo foi conduzido, apenas um facto me deixa feliz. São os sócios que têm a legitimidade para decidir qual será o próximo presidente do Benfica. E essa pessoa será Luís Filipe Vieira, que, segundo palavras do próprio, vai agora poder dedicar-se em exclusivo ao projecto desportivo do Benfica.
Mas uma coisa é certa. Vieira não terá a mesma margem de manobra junto dos sócios como a teve nesta campanha. A nova época será decisiva.
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