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Um Senhor, ou como se diz em terras britânicas, um Gentleman e um Sir, título com o qual seria distinguido em 2000. Era assim Bobby Robson, o ex treinador de Sporting e FC Porto, hoje falecido.
Na altura em que o manager inglês treinava em Portugal, eu era muito novo mas já seguia o futebol com o entusiasmo da idade. Dele recordo profissionalismo e cavalheirismo. Como era bom ouvir um treinador falar apenas de futebol nas conferências de imprensa que antecedem um jogo ou no final do mesmo. Sir Bobby Robson era assim. Na hora da vitória ou da derrota abordava a eficácia do ataque e da defesa. Inesquecivel o seu desabafo depois de um jogo no antigo Estádio da Luz no qual o Benfica venceu o FC Porto, beneficiando em muito da expulsão de Fernando Couto após agressão a Mozer. Foi mais ou menos assim que Robson sintetizou: 'Mozer 2, Fernando Couto 0'.
Com um percurso de jogador feito em Inglaterra, ao serviço do clube londrino Fulham, com uma passagem pelo meio pelo WBA, Bobby Robson alinhou também pela selecção inglesa nos mundiais de 1958 e 62. Como treinador passou por Inglaterra, Portugal, Espanha (Barcelona) e Holanda (PSV Eindhoven). Foi ainda, durante oito anos, seleccionador inglês e terminou a carreira no Newcastle United, cedendo ao cancro, a sua grande luta pós futebol e até ao final.
Entre vários títulos, Bobby Robson juntou-lhes o de mentor de Mourinho. Foi ao lado do inglês que José deu os primeiros passos na alta roda do futebol. Começou no Sporting e prolongou-se no FC Porto e no Barcelona, antes de abraçar a carreira separado do mestre.
Hoje o futebol fica mais pobre, mas também fica mais reconhecido. See you Robson.
Quando se mudou para Milão, em Junho de 2008, José Mourinho estava longe de imaginar que estaria hoje a trabalhar no actual terceiro melhor campeonato do futebol europeu, cada vez mais longe do espanhol e do inglês. Não imaginava também que o todo poderoso Inter de Milão, tetra campeão itaiano, teria tantas dificuldades, económicas e desportivas, para ombrear com os colossos Manchester United, Chelsea, Barcelona e Real Madrid, entre outros.
Mas no entanto é esta a realidade do treinador português, arrisco-me a dizer, o melhor do mundo. Um facto que ficou comprovado ontem, quando perdeu o melhor jogador, Ibrahimovic, para o Barcelona, recebendo em troca Hleb por empréstimo e o todo problemático, mas incrivelmente bom jogador, Samuel Etoo. Para o Inter 'voam' ainda cerca de 50M€. Uma soma incrível, bem reveladora da diferença de 'pedalada' entre os dois históricos clubes.
Quando chegou a Londres para orientar o Chelsea Mourinho teve verba para escolher, não os melhores jogadores, mas aqueles que quisesse. Cinco anos volvidos contenta-se com os 'restos' dos outros. O problema agrava-se porque quem não se contenta com pouco é o presidente e dono do clube interista, Massimo Moratti. O 'chefe' já fez saber, após dois resultados menos conseguidos na pré-época (entre deles a derrota por 2-0 com o Chelsea), que não admite desculpas nem falhas. Quer a Liga dos Campeões!
Depois destas palavras, ou muito me engano ou Mourinho já não será o mesmo esta época. À imagem do que aconteceu depois das primeiras críticas do patrão Roman Abramovich, aquando da sua passagem por Stamford Bridge...
Em Londres havia pouco sol é certo, mas Mourinho tinha uma grande equipa, um campeonato emocionante e bem disputado - o melhor na minha opinião - e adeptos loucos por futebol. Enfim, todos os condimentos para apaixonar quem trabalha no futebol em terras de 'Sua Majestade'. Em Milão há sol e muita moda, mas dentro das quatro linhas resta-lhe a dureza de um campeonato obscenamente defensivo e a crítica da imprensa e dos colegas de profissão, com quem não tem tido uma relação fácil ao longo da carreira.
A não ser com Alex Ferguson. Um 'grande' senhor do futebol mundial. Talvez seja por isso que eles se entendem tão bem.
Este título pode ter duas leitoras. Ou o futebol português está a perder valores de inquestionável qualidade, como Lucho Gonzáles e Lisandro López, ou então o FC Porto está a perder terreno face aos principais adversários.
Saviola (Benfica) e Matias Fernández (Sporting) são as novas vedetas dos grandes de Lisboa. Reforços de assinalável valor, com destaque para o novo benfiquista.
'El Conejo', como é apelidado Saviola, está habituado aos grandes palcos e aos grandes emblemas. River Plate, Barcelona, Mónaco, Sevilha e Real Madrid sao os seus anteriores clubes, numa carreira algo intermitente. À imagem de Aimar, que reencontra nove anos depois, pretende relançar a carreira em Portugal, jogando com regularidade num clube que lute por títulos. Tem duas vantagens em relação a 'El Mago'. É mais jovem e não tem um historial de lesões que possam assombrar a sua afirmação. Em forma, vai render muitos golos e levar gente ao(s) estádio(s).
Já Matias Fernández é ainda um jovem que busca afirmação na Europa depois de ter deslumbrado no Chile, onde é titularíssimo da selecção daquele país. Recrutado ao Villarreal de Espanha, tem características técnicas que o podem tornar num caso sério. O seu sucesso pode depender muito da posição em que actuar. Paulo Bento tem a palavra.
Em suma, dois reforços que trazem credibilidade e visibilidade à Liga portuguesa. O reverso da medalha operou-se a norte. O Porto acaba de perder duas referências para o campeonato francês, Lucho (Marselha) e Licha (Lyon). E atenção porque Bruno Alves pode ser o próximo...
À hora em que me encontro a escrever este artigo já votaram cerca de 13 mil sócios para a presidência do Sport Lisboa e Benfica, naquela que é talvez as eleições mais conturbadas de sempre. Luís Filipe Vieira e Bruno Carvalho são os candidatos únicos. Lamentavelmente, no último mês discutiram mais um com o outro do que propriamente o Benfica.
Tudo começou de forma inquinada, logo a partir do momento em que a direcção de Luís Filipe Vieira decidiu demitir-se em bloco e provocar assim eleições antecipadas para hoje, 3 de Julho, e não para Outubro, como referem os estatutos. Resultado: duras críticas à democracia no Benfica e ao suposto 'apego ao poder' de Luís Filipe Vieira, acusado de manobrar a data das eleições e afastar a concorrência da possibilidade de se prepararem condignamnete para as eleições. A oposição fez-se representar em dois blocos: o 'Movimento Benfica Vencer Vencer' e Bruno Carvalho, representado hoje pela Lista B.
Depois do flop José Eduardo Moniz, o 'Movimento' decidiu abandonar a corrida, por não reunir condições nem tempo para preparar a candidatura. Emergiu Bruno Carvalho para uma corrida a dois, um rosto da oposição à actual direcção demissionária nos últimos tempos. Os trâmites legais da decisão de Vieira cedo foram colocados em causa e levados até ao final. Uma providência cautelar levada a cabo por Bruno Carvalho retirou legitimidade legal à lista de Vieira para as eleições. Vilarinho, o ainda apresidente da Mesa da Assembleia Geral, não desarmou e autorizou o presidente demissionário a avançar. Vieira também não se intimidou com a decisão judicial e manteve-se firme, apelando ainda ao voto em massa. Algo que se está a confirmar... Finalmente hoje, o Tribunal Cível considerou 'imprudente' a providência cautelar, ilibou a candidatura de Vieira e multou Bruno Carvalho em 190€!
É obra. Também hoje, o candidato da Lista B foi votar ao Estádio da Luz e foi vaiado pelos sócios benfiquistas, naquilo que considerou como uma ameaça intimidatória. Por outro lado, Luís Filipe Vieira chegou e saiu do recinto como vitorioso, 'levado ao colo' pelos associados, que parecem não ter dúvidas sobre quem eleger.
Durante a campanha, ambos cometerm erros graves, com destaque para Bruno Carvalho, que manifestou em cada aparição pública um forte desconhecimento da mentalidade benfiquista e incoerências fatais. Recordando algumas afirmações do próprio, foi mais ou menos isto. 'Jorge Jesus sairá do Benfica no dia seguinte à minha eleição, Carlos Azenha é o meu treinador, o melhor da sua geração'; 'Saviola veio passar férias para o Benfica'; 'Dadas as condições Jorge Jesus vai manter-se no cargo e Rui Costa será convidado para conselheiro do presidente, tal como Zidane no Real Madrid'. Tiros nos pés.
Vieira também o fez, referindo-se a Jesus como o melhor treinador português e prometendo vitórias atrás de vitórias. Um discurso popular mas que dá resultado. É um facto.
Não concordando com a forma como todo o processo foi conduzido, apenas um facto me deixa feliz. São os sócios que têm a legitimidade para decidir qual será o próximo presidente do Benfica. E essa pessoa será Luís Filipe Vieira, que, segundo palavras do próprio, vai agora poder dedicar-se em exclusivo ao projecto desportivo do Benfica.
Mas uma coisa é certa. Vieira não terá a mesma margem de manobra junto dos sócios como a teve nesta campanha. A nova época será decisiva.