segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Vendedores de ilusões


Alguém acreditaria há duas jornadas que o Benfica estaria hoje a 10 pontos do FC Porto? Confesso que não... A equipa não deslumbrava - e ainda não o faz - mas lutava até à exaustão, o que lhe valeu recuperar de resultados negativos e conseguir vitórias preciosas, muitas delas arrancadas nos últimos minutos, qual estrelinha que brilhava... e que hoje parece ter-se desvanecido!

Derrota em casa com o campeão nacional e derrota no Restelo com um Belenenses como ainda não se tinha visto esta temporada. Lutador, astuto, sonhador... Três lesões musculares obrigaram Jorge Jesus a três substituições forçadas. Um detalhe para perceber a entrega que o Belenenses tem revelado durante esta edição do campeonato. Por outro lado, Luisão viu o seu ordenado aumentado na última semana e não tardou a justificar o mesmo. No futebol moderno não há espaço para erros infantis.

Pelo meio das últimas duas jornadas, duas vitórias moralizadoras. Na Ucrânia, o sucesso sobre o Shakthar Donetsk permitiu a permanência nas provas europeias, agora na UEFA. Na Luz, uma votória sobre a Académica colocou a equipa na 6ª eliminatória da Taça de Portugal. No rescaldo, destaque para Cardozo, que conseguiu quatro golos, e para as ilusões vendidas, ilustradas no vontade expressa de vencer a Taça UEFA manifestada por uma boa parte do plantel.

Contas feitas e a realidade destrona a ilusão e o sonho. 10 pontos de atraso para o líder Porto e agora apenas dois de vantagem sobre o Sporting... Muito trabalho para Camacho e um mercado de inverno que pode serenar os ânimos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Soltem-se as bandeiras!


Scolari voltou ao banco e regressaram os empates. No saldo da bem sucedida qualificação para o Euro 2008 (organização conjunta da Áustria e da Suiça) e frente aos três maiores rivais (Polónia, Sérvia e Finlândia), a selecção nacional empatou cinco jogos e perdeu um, na Polónia. Estes dados exigem uma análise profunda e principalmente muita preocupação. Afinal, Portugal juntou a final do Euro 2004 ao quarto lugar no Mundial 2006, realizado na Alemanha...

Frente à Finlândia, "Felipão" regressou e trouxe com ele uma muralha de seis jogadores com características defensivas à frente do guarda-redes Ricardo... Como líder, considero o treinador brasileiro um dos melhores, mas a nível técnico e táctico deixa um pouco a desejar. Para materializar a minha opinião lembro-me dos jogos frente à Sérvia e á Polónia em Setembro último, disputados em Portugal. Scolari mexeu, Portugal sofreu...

Ontem Scolari foi pragmático e realista na abordagem ao jogo. Não jogou para o empate mas procurou-o. Defendeu a baliza do agora guarda-redes do Bétis e não sofreu golos. Também não deu espectáculo, mas conseguiu o principal, conseguiu a qualificação. Quarta consecutiva para o Europeu de futebol e sexta consecutiva em grandes provas, contando com o Mundial.

O futebol não encanta mas a esperança é a mesma de sempre. Os jogadores são de topo e brilham nas maiores e melhores montras do futebol mundial, por isso é permitido sonhar. Depois da meia-final em 2000 e da final trágica em 2004 será que em 2008 vamos mesmo conseguir? Soltem-se as bandeiras nas janelas do país e muita fé nas "botas" dos eleitos...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

"Bem-vindos à Casa do Futebol"


Quando nos dirigimos ao fabuloso estádio do Arsenal, o Emirates Stadium, sabemos que vamos entrar na casa do futebol. É esta a imagem de marca dos "Gunners", é este o "slogan" associado ao clube desde sempre. Mais do que um clube, o Arsenal é actualmente um "nicho" no futebol britânico, resistindo aos milhões que acenam da América, Rússia e Ásia, e que já conquistaram as "outras" potências.

No início da época desenrolou-se uma história sem precedentes no "grande" da cidade de Londres. Sem Henry temia-se o pior, o abismo. Com um inicio de temporada fantástico, que lhe vale a liderança isolada, o Arsenal impôs-se por aquilo que lhe é mais genuino, pelo colectivo, traduzido na imagem dos seus fiéis adeptos, que enchem a cidade de vermelho sempre que há jogo em Arsenal (nome da estação de Metro do estádio, imposição de um antigo presidente).

Recheado de jovens valores e mantendo o espírito e os principios da sua fundação, o Arsenal apresenta uma equipa moderna e multicultural, liderada por um técnico francês de nome Arsène Wenger, cuja paixão e fidelidade ao clube do norte da capital escasseiam nos dias que correm. Nomes como Fabregas, van Persie, Abedayor e os adolescentes Walcott e Denilson, entre outros, já fazem parte do imaginário dos amantes do "desporto Rei" e prometem percorrer o mesmo percurso de glórias do passado, como Bergkamp, Ian Wright, Pires, Tony Adams...

Uma equipa jovem mas capaz de mobilizar os apaixonados adeptos ingleses, com capacidade e qualidade para trazer de volta os títulos de um passado bem recente... A maturadade e espírito de sacríficio demonstradas no empate frente ao Man Utd depois de recuperar de uma situação de desvantagem por duas vezes é reveladora e prometedora. 18 jogos depois, as tradicionais casas de apostas britânicas mobilizam-se e a questão impõe-se: Quem supera este Arsenal?

domingo, 4 de novembro de 2007

"Ganas" ou suor?


Camacho dá o mote. Trabalho, trabalho, é preciso trabalhar muito... e bem! No último sábado, 3 de Novembro, viu-se um Benfica a fazer jus às palavras do seu líder e a "arrancar" na capital do móvel uma vitória preciosa sobre o Paços de Ferreira por 2-1, mesmo ao cair do pano, e quando os benfiquistas já se preparavam para "celebrar" o 5º empate!

Sangue, suor e lágrimas. Foram o que, sem tirar nem pôr, os jogadores encarnados deixaram no pequeno e sinuoso relvado da Mata Real. Decorria o minuto 86` quando Katsouranis demonstrou porque é a grande referência deste Benfica. Como central ou médio defensivo, as suas actuações nao deslumbram mas são regulares e acima da média. O Benfica joga pouco é certo, mas pela primeira vez os adeptos encarnados têm um fim-de-semana feliz. O Porto empatou na sexta-feira e este domingo podem assistir ao Sporting-Naval bem instalados num qualquer cadeirão lá de casa. 6 pontos são agora a diferença para os rivais do norte. Renasce a esperança...

Voltando a Camacho, pragmático e conservador, o técnico espanhol, grão a grão e com menor ou maior dificuldade, lá vai aconchegando os adeptos mais exigentes. Sem deslumbrar, este Benfica dá mostras de um querer que pode muito bem ter resultados positivos no final da época. O mercado de Janeiro talvez ajude mas na minha opinião, o - bom - trabalho do técnico não está em questão.

Com "ganas" ou suor e com tempo para construir uma equipa de sucesso, tirando o máximo rendimento de jovens como Di Maria, Adu ou David Luiz, entre outros, Camacho tem tudo para ser o primeiro "manager" do futebol português da era moderna!