segunda-feira, 30 de junho de 2008

Palmas para a 'roja'


O triunfo do bom futebol.

É desta forma que se pode caracterizar a vitória da Espanha no Euro 2008. Contra uma Alemanha pragmática, curta de ideias mas extremamente objectiva, uma 'roja' desinibida, fantasista, ofensiva, mas extremamente bem organizada, qual 'armada espanhola' que desembarcou ontem em Viena.

Com um meio-campo fabuloso - reforçado com Fabregas após a lesão de Villa - a selecção vizinha voltou a conquistar a competição. E fê-lo com classe, juntando à conquista o rótulo de melhor selecção do certame. Como é sabido, nem sempre vence o melhor...

Remonta à segunda edição da prova a até ontem única vitória da Espanha na competição que reune os 'maiores da Europa'. Tantas vezes apelidada como a decepção, esta Espanha impressionou pela consistência e qualidade demonstradas durante toda a prova.

Uma equipa recheada de estrelas e ainda com muito futuro pela frente prepara-se agora para enfrentar os 'maiores do mundo', no Mundial 2010, a realizar na África do Sul. Nessa altura, caso garantam a qualificação, não irão contar com o sábio Luis Aragonés. O quase septagenário treinador espanhol, tantas vezes incompreendido, manteve-se fiel ás suas convicções ao longo dos últimos anos, resistiu a resultados menos positivos, e acabou coroado como o melhor da Europa. Ao que parece, leva consigo esse título para o Fenerbahce, na Turquia, onde vai prosseguir a sua longa carreira.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A última tarefa de Madaíl


Enquanto Scolari já prepara a próxima época no Chelsea, Gilberto Madaíl está mandatado para escolher o sucessor do seleccionador brasileiro à frente da selecção portuguesa. O seu último desafio antes de abandonar a presidência da FPF.

Zico (Brasileiro), Jose Pekermen (Argentino) e o 'nosso' Carlos Queirós perfilam-se como os principais candidatos à pesada herança deixada por Felipão. Sob a liderança do agora 'Big Phil', em 5 anos Portugal acumulou presenças na final do Euro 2004, na meia-final do Mundial 2006 e nos quartos do Euro 2008. Um registo decrescente mas igualmente impressionante, que cotou a selecção portuguesa como uma das melhores do mundo.

Mas também um fardo pesado para quem vier a seguir. Prosseguir com os resultados não é tarefa fácil, como não o é manter as maiores vitórias de Scolari: espírito de grupo e independência da selecção na sua relação com os clubes.

Uma última referência para Scolari. Dono de uma personalidade contraditória, foi capaz do melhor e do pior, mas ofereceu os melhores momentos à nossa selecção desde sempre. Beneficiando da sua excelente capacidade de trabalho - mais mental do que propriamente técnico-táctica - e de uma geração de grandes valores, encheu as janelas portuguesas de bandeiras nacionais e colocou um país atrás de uma equipa de futebol.

Para o futuro apenas se esperam mais e melhor...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Fazer história


Ambição sem limites. É no decorrer de uma das suas épocas menos conseguidas que o tenista suiço Roger Federer tem oportunidade de fazer história no torneio internacional mais prestigiado da modalidade ténis: o Grand Slam de Wimbledon, Londres. Em 2007 igualou o também pentacampeão Bjorn Borg. Em 2008 pode levar o seu nome ainda mais alto na modalidade, alcançando o que ainda ninguém conseguiu: vencer por seis vezes o mítico torneio.

Para o demover lá estará o seu grande rival dos últimos anos, Rafael Nadal, e ainda o sérvio Djokovic, respectivamente segundo e terceiro classificados do ranking ATP. Depois de apenas, duas vitórias em 2008, uma delas no Estoril e a outra em Halle igualando o recorde de Pete Sampras na prova germânica (10 vitórias). Os dados estão lançados para ver se anos depois a hegemonia de Federar vai ser quebrada nos relvados de Wimbledon.

Frederico Gil é o representante das cores nacionais. Depois de Roland Garros segue-se Wimbledon, naquela que é uma época sem precedentes para o melhor tenista português da actualidade. Déjà vu. Jerome Chardy será o primeiro opositor, à semelhança do que aconteceu no torneio francês. Mais uma dura tarefa para o mais que provável sucessor de Nuno Marques no ténis nacional.

Uma participação digna


Ultrapassada a fase de ressaca, é tempo de analisar com frieza a digna participação da selecção portuguesa de futebol no Euro 2008, que decorre na Áustria e Suiça e tem oferecido grandes espectáculos. Colocando de lado as duas jogadas de bastidores (novela de Ronaldo com o Real Madrid e timing do anúncio da saída de Scolari para o Chelsea) que envolveram a 'jornada' lusa, mas não descartando a sua interferência no rendimento do grupo, limito-me aos factos e ao jogo jogado.

Frente à Alemanha, Portugal não entrou bem e nunca conseguiu circular a bola - como tanto gosta. Com Ronaldo e Simão 'presos' pela táctica alemã e com Deco sem espaço para jogar, Portugal apenas conseguiu surpreender nos lances individuais, como bem exemplifica o golo apontado por Nuno Gomes, depois de uma das raras arrancadas de Ronaldo.

O resto foi superioridade alemã a vários níveis e uma eficácia alemã tão notável (3 golos em outras tantas ocasiões) quanto as desconcentrações da defesa portuguesa. Nos minutos finais a maior frescura física e o golo de Postiga empurraram Portugal para a frente, mas sem colocar em causa o controlo e domínio alemão.

Uma derrota que vale por isso mesmo, numa fase em que os detalhes ditam o sucesso ou o insucesso. Uma derrota que não retira mérito à selecção portuguesa e abre portas para o futuro. Uma equipa jovem mas de muito valor, que vai decerto continuar a brindar os amantes do desporto rei como o fez até ao jogo frente à República Checa. Falta apenas alterar mentalidades, ou este triste fado perdurará...

Referência final ao desenrolar da competição e uma constatação. Entre as grandes selecções restam apenas 2. Alemanha e Espanha. Sinal de equílibrio entre as selecções? Puro engano. Sinal de que os grandes jogadores são submetidos às maiores exigências durante uma época longa e não estão ao seu melhor nesta altura. Isto sem melindrar as restantes selecções e jogadores como Arshavin. Quem não conhecia o médio russo ficou decerto a conhecer...

terça-feira, 3 de junho de 2008

100 vezes Henry


Aos 30 anos e já num momento descendente da carreira, resultado de inúmeras lesões, o avançado internacional francês Thierry Henry chegou à 100ª internacionalização pela selecção gaulesa. Frente à Colômbia, no Stade de France (Paris), diante de 80.000 espectadores, Henry fez parte do 11 inicial e tornou-se no 6º jogador da história do futebol francês a conseguir este feito.

Começou cedo a carreira da estrela francesa. Em 1995 já brilhava no Mónaco, em 97 estreava-se pela selecção de França, onde hoje detém o recorde de golos (44). Depois de uma passgem frustrante pela Juventus, Henry descobriu a felicidade em Londres. No Arsenal (174 golos/254 jogos), tornou-se ídolo dos exigentes e apaixonados adeptos gunners e conquistou um lugar no futebol mundial. 2 ligas de Inglaterra, entre uma série de outros triunfos colectivos e individuais, justificaram a retirada da camisola 14 do clube britânico. Entre eles a nomeação de Pelé para os 100 melhores do mundo, onde por Portugal figuram Eusébio, Figo e Rui Costa.

No verão de 2007 aconteceu o que parecia impossível. Henry deixou o Emirates Stadium e rumou a Barcelona, mas a sua luz tarda em aparecer. Lesões em série atrasaram a sua afirmação no clube blaugrana e devolveram-lhe a frustração.

Actualmente, está concentrado na selecção francesa, onde conseguiu os seus maiores feitos. Vencedor do Campeonato do Mundo (1998) e da Europa (2000). O Euro 2008 tem todos os ingredientes para devolver o brilho à gazela gaulesa, que parte como uma das grandes favoritas à vitória final.

A Henry pede-se o mesmo de sempre, que seja igual a si próprio. Aquele jogador veloz e desconcertante que inventou uma nova forma de avançado. À esquerda, direita ou centro, tem tudo para espalhar magia na competição vindoura.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Até já


Terminou a época 2007/2008, terminou a carreira de Rui Costa. Pelo menos como futebolista profissional... Se até hoje não me dediquei a comentar o final de carreira do 'maestro' foi precisamente para esperar para ver. Não é fácil assistir a imagens de Rui Manuel César Costa sem o mítico 10 nas costas, quanto mais vê-lo de fato e gravata, nas suas novas funções de director-desportivo do Benfica.

Depois de uma brilhante carreira dentro dos relvados, onde foi protagonista em todos os clubes onde espalhou o seu futebol (Benfica, Fiorentina, Milan), e ainda na selecção nacional, Rui Costa assume agora um cargo de secretaria. Ontem organizava a equipa entre quatro linhas, hoje é responsável pela organização do plantel do lado de fora, funcionando como o principal elo de ligação entre a equipa e a direcção.

Do nosso lado, Rui mostra as mesmas características de sempre: humildade, honestidade, clareza, objectividade e capacidade de drible às respostas da imprensa bem acima da média. Como não poderia deixar de ser.

Que as suas conquistas nas novas funções sejam idênticas a todas aquelas que acumulou em 18 anos de carreira como futebolista profissional:

Sport Lisboa e Benfica
Primeira Liga
Taça de Portugal

Fiorentina
Taça de Itália (2)
Supertaça da Itália

AC Milan
Taça de Itália
Supertaça de Itália
Campeonato Italiano
Liga dos Campeões
Supertaça Europeia

Selecção portuguesa
Campeonato do Mundo sub 21
Finalista do Campeonato da Europa

Mais que um respeitoso tributo, um até já.

Contador conta mesmo


Procurava-se um líder que sucedesse a Miguel Indurain e a Lance Armstrong. Depois de seguir a carreira destes dois ciclistas não é fácil acreditar que outro corredor vai 'aparecer' e exibir-se a um nível idêntico ou sequer aproximado ao que estas duas lendas habituaram os seguidores do ciclismo.

Até que surgiu Alberto Contador. Dono de uma história de vida com contornos idênticos aos do ciclista norte-americano no que respeita à saúde, também o desportista espanhol recuperou e conquistou um lugar na história do ciclismo internacional. Com apenas 25 anos, juntou a vitória no Giro d'Italia (2008) à vitoria no Tour de France (2007), a mais prestigiada competição da modalidade. Segue as pisadas dos melhores.

Apesar do escândalo de doping que tem abalado o ciclismo, ao qual não escapam as grandes figuras e equipas da alta roda internacional, esta continua a ser uma modalidade apaixonante. Abana mas não cai. Prova de um heroísmo físico invulgar, que excede as capacidades do homem pelas estradas do mundo.

Eu acredito no ciclismo e no suor daqueles que mantêm a modalidade lá em cima, como uma das mais apaixonantes e fascinantes competições desportivas. Que Alberto Contador, herói de 'nuestros hermanos' e 'camisola amarela' do ciclismo actual, seja disso exemplo e que contribua para manter viva esta competição mágica.