segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Euforia benfiquista esfria no 'Castelo'

Estaria eu a escrever este post se Cardozo tivesse feito golo no pénalti que o Benfica beneficiou na segunda parte do jogo em Guimarães? Tenho sérias dúvidas. A perder por 1-0 e reduzido a 10 unidades, o Vitória de Guimarães não iria de certeza reforçar o 'castelo' defensivo que se veio a verificar com a permanência do nulo.

E o que é que se veio a verificar exactamente? Precisamente aquilo que os simpatizantes do Benfica julgavam devidamente enterrado. O mau futebol da época passada, sob o comando do espanhol Quique Flores, para não referir o estado do futebol encarnado nos últimos 15 anos.

Por culpa e mérito do Vitória de Guimarães, que soube defender a inferioridade numérica recorrendo ao já famoso 'autocarro' que o Marítimo trouxe a semana passada para o Continente e que, pelos vistos, acabou por ficar por cá. Mas esta viatura avistada no 'berço' apresentava um upgrade bem perigoso e ainda não vislumbrado. Uma componente ofensiva venenosa. Uma nova faceta que colocou a defesa do Benfica em sentido. Luisão e Quim que o digam. Numa delas, só o poste salvou o Benfica de Jorge Jesus.

À excepção deste e de outro lance, só deu Benfica. Mas mais em quantidade do que em qualidade. A afunilar e a insistir pelo jogo pela esquerda e a perder-se na teia bem montada por Nelo Vingada, nunca conseguiu perfurar verdadeiramente a defesa local na segunda parte, algo que também só tinha acontecido por uma vez na primeira metade, numa brilhante jogada entre a dupla argentina Di Maria e Aimar, que isolado perante Nilson atirou ao lado.

A diferença, a meu ver, para o futebol da última época era apenas uma. A transpiração na ausência da inspiração. E foi já perto do fim que tocou o 'bombo'. Cruzamente de Fábio Coentrão na esquerda, para não variar, e golo de Ramires (na foto) bem no coração da área vimarenense. Sem oposição, o brasileiro revelou uma capacidade de impulsão até agora desconhecida e selou a vitória benfiquista, para gáudio dos muitos adeptos que se deslocaram ao Estádio D. Afonso Henriques.

JJ, como já é apelidado pela imprensa, atribuiu a fraca exibição do Benfica ao desgaste provocado pelo jogo europeu da última quinta-feira. Um factor que não explica tudo. Colocando o dedo na ferida, como é seu timbre, assumiu sem rodeios o subrendimento de elementos como Aimar, Saviola, Di Maria e Cardozo...

A Liga vai ainda na segunda jornada e já o Benfica levou duas lições para estudar. Não há jogos fáceis e as exigências da pré-época nada têm a ver com aquelas que aparecem quando o jogo é a 'doer'. Este Benfica tem que aprender a sofrer para ser campeão. Tem de aprender a lidar com a euforia dos adeptos e, mais ainda, a reagir perante eles na vitória e na derrota.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

De Kaká a Alonso passando pelo inevitável Ronaldo

A esperança renasceu em Madrid assim que Florentino Pérez anunciou que se iria recandidatar à presidência do Real Madrid, orfã desde Janeiro de 2009, depois das polémicas em que se viu envolvido o antigo presidente, Ramon Calderón, a contas com a justiça. A época decepconante ficava para trás e as 'manchetes' já faziam referência à veia despesista de Pérez, que anunciava a contratação das maiores estrelas do futebol mundial, à imagem do que realizou no consulado anterior.

Voltaram assim Los Galácticos. Sem surpresa, o milionário empresário da construção civil venceu as eleições e voltou a ocupar o pelouro. As promessas não cairam em saco roto e pouco tempo depois era apresentado Kaká, 'resgatado' ao AC Milan por 65M€. 'Não há impossíveis!', pensavam os adeptos merengues, mas também os amantes do mundo do futebol, tal era a capacidade da coisa. Seguiram-se Benzema (Lyon), Albiol (Valência), Arbeloa (Liverpool), Xabi Alonso (Liverpool), os menos conhecidos Garay, Granero e Negredo, além, claro, de Cristiano Ronaldo, principal protagonista daquela que seria a transferência mais cara e mediática da história do futebol.

O '7' português e do Manchester United custou nada menos que 94M€ e a sua apresentação, apadrinhada por Di Stefano e Eusébio!, foi realizada em pleno Santiago Barnabé, mítico recinto do Madrid, por 80 mil aficionados do futebol - desengane-se quem pensa que eram apenas adeptos do Real Madrid - para ouvir o melhor jogador do mundo dizer 'Hala Madrid'!

Tudo somado, incluindo os 3M€ pagos pelo técnico chileno Manuel Pellegrini ao Villareal, já foram gastos cerca de 260 milhões de Euros. Ou seja, em apenas um mês, mais coisa menos coisa, Florentino Pérez construiu uma equipa galáctica, à imagem da primeira era do cognome, que foi composta por jogadores como Figo, Zidane, Ronaldo, Owen e Beckham. Mas essa fornada demorou 5 anos a construir!

Uma fábrica de sonhos ofensiva com algumas carências no sector mais recuado, que Casillas até pode disfarçar. Mas esse disfarce pode não ser suficiente para enfrentar uma época longa e desgastante, cujo principal oponente é o todo-poderoso FC Barcelona, acabado de vencer a tripleta. Na Catalunha mantém-se a equipa base e, numa clara reacção de entusiasmo institucional ao investimento ávido dos merengues, foi contaratdo o avançado sueco Ibrahimovic ao Inter de José Mourinho. Uma resposta à altura, e um acréscimo de qualidade a uma equipa que vai continuar com Puyol, Xavi, Iniesta, Messi e Henry, entre muitos outros. Uns já consagrados, outros vindos de uma cantera mágica, que não pára de verter talentos.

Postos os dados no tabuleiro de La Liga, o Real Madrid pode ter muito a perder esta época. Mas com um recheio de equipa como aquele que apresenta, também pode ter muito a ganhar. Para já uma vitória já Florentino Pérez conseguiu, o regresso da ilusion.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Holanda tem qualquer coisa de especial

Não seria o principio do fim, muito menos o fim do mundo. Mas uma derrota do Sporting ontem, frente ao Twente FC para a 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, podia colocar a nu muitas fragilidades para a nova época que ainda agora começou.

Aos 95 minutos os adeptos leoninos estavam de coração na mão. A exibição não entusiasmava e as oportunidades de golo não surgiam, de todo. Pouco por onde agarrar pois então, a não ser aquela noite mágica de 2005 em que Miguel Garcia virou herói.

Eis que Caicedo, acabado de entrar e determinado a inverter qualquer ligação trágica ao seu nome no final do jogo e nas manchetes dos 'desportivos' do dia seguinte, ganhou um canto. Enquanto todos se amontoavam na grande área da equipa holandesa, o guarda-redes Rui Patrício ergueu as mãos para o técnico Paulo Bento e pediu permissão para se juntar aos colegas no derradeiro esforço para conseguir o empate - a golos - que permitiria continuar a sonhar.

Rui nem teve tempo de se preparar. Ainda estava em corrida quando o canto foi apontado. Cabeceou a bola meio de lado mas o destino estava traçado. O defesa holandês fez o resto e colocou a bola dentro da sua baliza. 'Onde é que eu já vi isto?' Pensava o adepto sportinguista mais 'ferrenho'. E não é que já se viu mesmo? Ontem foi assim, novamente. E é por estes momentos que o futebol não deixa de nos surpreender, mesmo minado pelo marketing e pela especulação financeira.

Hoje, os holandeses não querem acreditar. Mas os sportinguitas também não. E por momentos até parece que está tudo bem. Mas não está. No playoff de acesso à Liga dos Campeões segue-se uma equipa ainda mais forte que o Twente. E Paulo Bento terá muito trabalho a fazer para não depender de milagres como o de ontem.