Estaria eu a escrever este post se Cardozo tivesse feito golo no pénalti que o Benfica beneficiou na segunda parte do jogo em Guimarães? Tenho sérias dúvidas. A perder por 1-0 e reduzido a 10 unidades, o Vitória de Guimarães não iria de certeza reforçar o 'castelo' defensivo que se veio a verificar com a permanência do nulo.E o que é que se veio a verificar exactamente? Precisamente aquilo que os simpatizantes do Benfica julgavam devidamente enterrado. O mau futebol da época passada, sob o comando do espanhol Quique Flores, para não referir o estado do futebol encarnado nos últimos 15 anos.
Por culpa e mérito do Vitória de Guimarães, que soube defender a inferioridade numérica recorrendo ao já famoso 'autocarro' que o Marítimo trouxe a semana passada para o Continente e que, pelos vistos, acabou por ficar por cá. Mas esta viatura avistada no 'berço' apresentava um upgrade bem perigoso e ainda não vislumbrado. Uma componente ofensiva venenosa. Uma nova faceta que colocou a defesa do Benfica em sentido. Luisão e Quim que o digam. Numa delas, só o poste salvou o Benfica de Jorge Jesus.
À excepção deste e de outro lance, só deu Benfica. Mas mais em quantidade do que em qualidade. A afunilar e a insistir pelo jogo pela esquerda e a perder-se na teia bem montada por Nelo Vingada, nunca conseguiu perfurar verdadeiramente a defesa local na segunda parte, algo que também só tinha acontecido por uma vez na primeira metade, numa brilhante jogada entre a dupla argentina Di Maria e Aimar, que isolado perante Nilson atirou ao lado.
A diferença, a meu ver, para o futebol da última época era apenas uma. A transpiração na ausência da inspiração. E foi já perto do fim que tocou o 'bombo'. Cruzamente de Fábio Coentrão na esquerda, para não variar, e golo de Ramires (na foto) bem no coração da área vimarenense. Sem oposição, o brasileiro revelou uma capacidade de impulsão até agora desconhecida e selou a vitória benfiquista, para gáudio dos muitos adeptos que se deslocaram ao Estádio D. Afonso Henriques.
JJ, como já é apelidado pela imprensa, atribuiu a fraca exibição do Benfica ao desgaste provocado pelo jogo europeu da última quinta-feira. Um factor que não explica tudo. Colocando o dedo na ferida, como é seu timbre, assumiu sem rodeios o subrendimento de elementos como Aimar, Saviola, Di Maria e Cardozo...
A Liga vai ainda na segunda jornada e já o Benfica levou duas lições para estudar. Não há jogos fáceis e as exigências da pré-época nada têm a ver com aquelas que aparecem quando o jogo é a 'doer'. Este Benfica tem que aprender a sofrer para ser campeão. Tem de aprender a lidar com a euforia dos adeptos e, mais ainda, a reagir perante eles na vitória e na derrota.


















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