sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Uma pedreira de emoções


Semana europeia marcada por uma vingança minhota. Na primeira jornada da fase de grupos da UEFA, o Sp. Braga recebeu o 'carrasco' do rival do Minho, Vitória de Guimarães, na primeira ronda da competição uefeira e fechou a noite com uma goleada inesperada. 3-0, com golos de Luis Aguiar, Renteria e Alan. Três reforços bracarenses da nova equipa de Jorge Jesus, que depois da passagem - de sucesso - pelo Belenenses continua a mostrar créditos.

Ainda na UEFA, o Benfica de Quique Flores conseguiu um empate na Alemanha, frente ao Hertha de Berlim. Como diria Trapattoni, 'quando não se pode ganhar também não se pode perder'. A equipa encarnada obteve mais uma boa prestação, chegando à vantagem no marcador no início da segunda parte, através do argentino Di Maria. Começa finalmente a justificar o estatuto alcançado na competição olímpica do´último verão, onde se sagrou campeão pela Argentina. O empate surgiu não muito tempo depois, em mais uma demonstração de má interpretação táctica desta equipa. Os princípios estão incutidos, mas faltam ainda limar agumas arestas para que esta equipa possa bater-se de igual para igual com qualquer outra.

Na Liga dos Campeões, o FC Porto contraiu um 'traumatismo ucraniano' e o leão como que ressurgiu, na Ucrânia. No Dragão, o Dinamo de Kiev foi mais forte, chegou ao golo ainda na primeira parte e teve toda a segunda para evidenciar as debilidades deste Porto. A explicação parace-me simples: saíram Bosingwa e Quaresma, entraram Rodriguez e Sapunaru. O problema é mesmo nas alas. E Jesualdo Ferreira tem parte da culpa. Em 2 épocas contratou cerca de 20 novos jogadores e nenhum deles 'pegou de estaca'.

Em Donetsk (Ucrânia), o leão voltou a rugir e Paulo Bento a descontrair. Liedson regressou e trouxe consigo os golos que faltavam a este Sporting. Mas nem só do brasileiro vive o clube leonino. O russo Izmailov provou mais uma vez a sua utilidade. Um jogador de fino recorte, muito disciplinado tacticamente e bom nas transições defensivas e ofensivas. Com ele, o losango no qual tanto insiste Paulo Bento faz sentido.

sábado, 18 de outubro de 2008

O síndrome de Queiróz


2 jogos, 2 pontos, zero golos marcados e zero vitórias. É este o saldo bem negativo da última dupla jornada disputada pela selecção portuguesa na fase de apuramento para o Mundial 2010. Resultado final: 3º lugar, a 2 pontos da líder Dinamarca, que conta com menos um jogo. Se, geograficamente, a África do Sul já se encontrava longe de Portugal, agora parece fazer parte de outro planeta.

Esperamos que Carlos Queiróz tenha trazido consigo a calculadora, porque bem vai precisar desata máquina há muito esqucida pelos portugueses para fazer contas de apuramento. A conjuntura não é favorável e 5 jogos depois toda a nova estrutura da selecção já foi colocada em causa. Afinal só foi conseguida uma vitória, frente à frágil Malta.

Numa análise resunida, romper drasticamente com o legado de Scolari parece ter sido o grande erro do novel seleccionador. O técnico brasileiro, agora no Chelsea, apesar de nos últmos tempos já não gozar da mesma popularidade, tinha alicerces bem seguros onde se apoiar. Um núcleo duro de jogadores, uma equipa base e um país com a selecção.

Queiróz quis começar de novo e aposta num grupo com muitas caras novas, à procura de uma equipa e do carinho dos portugueses. Um processo longo, e que por isso precisa de tempo. Tempo cada vez mais escasso. Para além de todas as contrariedades, o seleccionador nacional tem ainda contra ele o facto de ser português e todo o estigma associado a este facto.

Recorde-se que o último seleccionador português que vingou na selecção nacional foi Humberto Coelho, e também ele saiu em ruptura com a estrutura da Federação Portuguesa de Futebol, assombrado internamente pela chegada de um técnico estrangeiro. Algo porque já havia passado Queiróz no passado.

Parece agora que a famosa afirmação de Scolari 'E o burro sou eu?' chegou antecipadamente. Mas o que é certo é que neste momento faz todo o sentido. Queiróz tem a 'palavra', para desmistificar a declaração do ex-seleccionador e lançar bases sólidas para o futuro. Em Português.

sábado, 11 de outubro de 2008

O 'Fenómeno' quer voltar


Quando em 1996, com apenas 20 anos, Ronaldo Luís Nazario de Lima chegou ao FC Barcelona, era quase um perfeito desconhecido no futebol internacional. Nesta altura, a Lei Bosman dava os primeiros passos no futebol, tendo alterado por completo o mercado de transferências desde aí, e, consequentemente, a realidade do 'desporto Rei'.

Mas a verdade é que já nessa altura Ronaldo somava três títulos nos clubes até aí representados como jogador profissional, Cruzeiro (Campeonato Mineiro e Taça do Brasil) e PSV Eindhoven (Taça da Holanda). Mais importante ainda, somava o titulo de campeão mundial pelo Brasil (EUA 1994), conquistado com apenas 17 anos, mesmo sem ter actuado. Aliada a títulos, arrastava consigo uma veia goleadora impressionante - 12 golos em 14 jogos no Cruzeiro e 42 em 45 jogos no PSV!

Na Catalunha, manteve a tendência. Apontou 34 golos na primeira e única época na cidade condal, acabando coroado como Melhor Jogador do Mundo pela FIFA (a primeira de 3 nomeações - 1996, 1997 e 2002) e apelidado como 'Fenómeno'.

Seguiu-se o Inter. Em Milão teve início o calvário de lesões no joelho de Ronaldo. Uma fase dificil, marcada ainda por uma estranha e mal explicada convulsão na véspera da final do Mundial 1998, que acabou por sorrir à França. Quando se pensava que a carreita do astro canarinho iria entrar numa lógica descendente, Ronaldo deu a volta por cima e voltou aos grandes palcos, conquistando o Mudial 2002, na Coreia do Sul, onde se assumiu como o máximo goleador da prova (8 golos em 7 jogos) e o melhor jogador.

Uma campanha fantástica, que lhe valeu o passaporte para Espanha, desta vez para actuar no Real Madrid, juntando-se assim à famosa equipa de 'galácticos' formada por Florentino Perez. Os êxitos continuaram, mas as lesões também... De 'Fenómeno' passou a 'El Gordo', mas não deixou de acumuloar golos e títulos em 5 anos na capital espanhola.

Em 2007 regressou a Itália, mais uma vez para jogar no grande rival do primeiro clube ali representado. O Milan acolheu-o mas as lesões voltaram a traí-lo. Hoje, com 32 anos, está sem clube. Na fase final de mais uma recuperação, aponta baterias para regressar à Europa (PSG e Man. City suspiram por ele) e aponta baterias para o Mundial 2010, na África do Sul. Um fenómeno de resistência!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O tesouro de Capello


É no meio-campo que o seleccionador inglês Fábio Capello encontra talento e capacidade para manter bem altos os seus objectivos na selecção inglesa. Em Inglaterra, a selecção dos "Three Lions" faz sonhar e vibrar os exigentes mas apaixonados adeptos supporters ingleses.

Depois de viver em Portugal o Euro 2004, tive a oportunidade de assistir em Inglaterra, para minha 'sorte' em Londres, à campanha inglesa na fase final do Mundial 2006, que acabou, precisamente, com uma derrota frente a Portugal nos quartos-de-final da competição. Um jogo fantástico decidido através da marcação de grandes penalidades!

Já nessa altura coabitavam no mesmo 11 os ilustres Steven Gerrard e Frank Lampard, compondo um meio-campo quase perfeito. Dois jogadores de qualidade técnica, física e psicológica muito acima da média. Na Premier League alinham em clubes rivais, Liverpool e Chelsea, respectivamente, mas na selecção inglesa formam um bloco quse insuperável, enchendo de fé os inquietos espíritos ingleses.

Para além destas duas 'estrelas', Inglaterra conta ainda com outros jogadores de grande nível. São eles John Terry, Rio Ferdinand, Ashley Cole, Joe Cole e Wayne Rooney, entre outros. Os pontos fracos permanecem na baliza e, principalmente, nas elevadas ambições depositadas em 11 jogadores por todo o universo inglês.

Depois de falharem o Euro 2008, entao com o inglês Steve McClaren - algo que não acontecia há mais de duas décadas - a FA contratou um técnico de renome para assumir a selecção e colocá-la de novo na rota das grandes competições e das grandes vitórias. Para já, a experiência do 'latino' Capello está no pleno. 2 jogos, 2 vitórias! Voltam a sorrir os rostos aficionados dos ingleses.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Engolidos no mar


No Estádio do Mar, em Matosinhos, começou melhor o Leixões. Mas a partir dos 15 minutos o Benfica assenhorou-se do jogo. Cresceu e chegou ao golo, através do inevitável Cardozo. O paraguaio já leva 3 golos no campeonato.

O início da segunda parte manteve a tendência. Uma linha média bem montada por Quique Flores e suportada por Yebda dentro das 4 linhas. Impressionante a capacidade fisica e técnica do franco-argelino resgatado ao campeonato francês, a custo zero. Muito interessante também a forma como este meio-campo benfiquista - a quatro jogadores - bascula no processo defensivo e ofensivo. Promete, sem duvida.

Quem não dormia era José Mota. Em 10 minutos, o técnico leixonense lançou 2 pedras em campo - José Manuel e Diogo Valente - e quase 'virou' o jogo. Avolomou-se o jogo pelas alas e o Benfica foi recuando até praticamente desaparecer da linha construtiva do jogo.

'Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura', lá dizem os antepassados. E com razão! Depois de tanta insistência, o Leixões chegou merecidamente ao empate, frente a um Benfica que, diminuido fisicamente, passou os últimos 30 minutos a 'treinar' teimosamente o processo defensivo.

No seguimento de um canto, Wesley marcou o golo do empate e o 4º da sua lista pessoal na temporada. Uma lista geral encabeçada pelo próprio. Quique Flores sai de Matosinhos sem razões para sorrir mas com um empate que se revelou um mal menor. Já José Mota, mantém o Leixões como uma das principais surpresas da Liga Sagres.

A redenção de Bruno


Na Luz de 'peito feito', em Alvalade de mansinho. A bipolaridade de Paulo Bento na última semana resultou em duas derrotas frente aos principais rivais. Depois de perder o eterno dérbi esperava-se um Sporting ferido frente ao FC Porto. Mas nem o - pouco habitual - entusiasmo dos adeptos verde-e-brancos valeu a Moutinho e companhia.

Embalados por uma apatia estranha, os jogadores leoninos facilitaram demais frente a jogadores como Lucho e Lisandro. Nem o facto de terem conseguido recuperar da desvantagem de um golo ainda na primeira parte lhes trouxe mais entusiasmo. Bruno Alves é que não estava para brincadeiras e selou ainda na primeira parte o 2-1 final. Afinal podiamos mesmo contar com o FC Porto em Alvalade.

Na segunda parte mais do mesmo. E o mesmo Bruno Alves a rematar à trave após mais um livro superiormente executado. Um talento escondido do internacional português. No final sorriu o FC Porto, agora de volta à liderança do campeonato, um lugar que tão bem conhece, tal tem sido a hegemonia do dragão na última década.

Depois de 3 vitórias consecutivas, o Sporting mostra agora que o facto de ter mantido a estrutura nos últimos anos pode não ser suficiente. Mas é necessário ter em atenção que faltam Liedson, Izmailov, Caneira e quiça Vukcevic...

Já o FC Porto soube responder à altura depois da humilhação sofrida em Londres (0-4 frente ao Arsenal) para aLiga dos Campeões. Os dragões mostram que no consumo interno têm cartas para dar. E o gesto de Bruno Alves, a dedicar a vitória a Jesualdo Ferreira, mostra que a união reina no Olival.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Afinal Nápoles estava perto


Reyes e Nuno Gomes, já na segunda parte, devolveram as grandes noites europeias ao Estádio da Luz. Depois de uma derrota por 3-2 no SanPaolo, em Nápoles, a tarefa do Benfica na segunda mão da eliminatória de acesso à fase de grupos da UEFA, edição 2008-2009, não se afigurava fácil.

Pela frente estava uma equipa italiana de renome, ansiosa por voltar a brilhar nos grandes palcos, e que ocupa, surpreendentemente, o 2º lugar do calcio. Depois de uma primeira parte à boa maneira transalpina, marcada pelo futebol defensivo, anti-jogo ou simplesmente catenaccio, o Benfica soltou-se dessas amarras na etapa complementar e chegou a uma vitória eufórica.

Flores para Reyes, devolvidas a Quique aos 57 minutos. Katsouranis, que regressou à titularidade, isolou o espanhol Jose Antonio Reyes (na foto) e este voltou a marcar, depois da sua estreia nestas lides frente ao Sporting. Começa a ser um caso sério a influência do avançado internacional espanhol na equipa do Benfica. Para já, joga, faz jogar, e decide! A equpa encarnada não amoleceu, e bem acompanhadas por adeptos vibrantes, chegou ao segundo golo. Nuno Gomes sentenciou o jogo com um cabeceamento, após um cruzamento de Carlos Martins da direita.

Se na primeira volta 'Nápoles parecia demasiado longe', enrolada numa muralha defensiva, na segunda a maior capacidade do Benfica fez a diferença. No final, os jogadores encarnados voltaram a ser apludidos de pé. Segue-se a fase de grupos da Taça UEFA. O Estádio da Luz volta a sonhar e a onda vermelha vai decerto reaparecer.

Dia de Reyes noite de Sidnei


Minuto 1 do Benfica-Sporting da época 2008-2009 e primeira oportunidade de golo do dérbi. Na 'cara' de Quim, Yannick atira por cima. Depois deste lance, apenas Derlei e Postiga voltaram a incomodar a baliza encarnada. O Benfica equilibrou o jogo e ainda na primeira parte Nuno Gomes falhou o desvio a um passe remate de Maxi Pereira, perdendo assim a hipótese de inaugurar o marcador.

Na segunda parte, Quique Flores leu bem o jogo e colocou Katsouranis em campo, fazendo-o redimir-se do desaire frente ao FC Porto, na segunda jornada. A partir daqui, o Benfica assumiu o jogo a meio-campo e a entrada de Aimar foi decisiva para a conquista da vitória. Em 10 minutos, o argentino assistiu Reyes para o primeiro golo - e que grande golo - e ganhou a falta que resultou no segundo golo, marcado por Sidnei. Estava consumada a vitória e quebrado um enguiço com 3 anos.

No final, Quique venceu três pontos e ganhou uma equipa. Um Benfica como até aqui não se tinha visto. Articulado, organizado e objectivo. A fazer sonhar. Destaque ainda para Miguel Vitor e Sidnei, dois defesas centrais de apenas 19 anos, que encheram o campo e às tantas' secaram' os 4 avançados leoninos (!) lançados por Paulo Bento.

Depois de um início turbulento, marcado por uma irregularidade defensiva impressionante (5 golos sofridos em 3 jogos), que resultou em 2 empates, o Benfica está de volta a 'jogo' e pode assumir a liderança isolada já na proxima jornada. Uma ronda que vai contar com um Sporting-Porto.