quinta-feira, 29 de maio de 2008

(Media)tico Ronaldo


No futebol como em outras áreas sociais ou profissionais, o fenómeno dos media assume importância determinante na formação de opinião. Daí a alusão aos media como o quarto poder. No entanto, o funcionamento deste meio representa um 'pau de dois bicos'. Por vezes são os media a utilizar individuos, empresas, associaçãoe ou afins para se promoverem. Outras vezes os media são 'usados' para outros propósitos que não os propostos inicialmente.

O 'caso Cristiano Ronaldo' é um bom exemplo disso. Mas desta vez é diferernte pois existe um interesse comum. É público e manifestado diariamente o interesse do Real Madrid na contratação do jogador. Diariamente, directores, treinadores ou jogadores do clube merengue concedem entrevistas 'exclusivas' aos jornais desportivos espanhóis. Diariamente, o fenómeno Ronaldo é capa desses principais jornais, numa novela sem precedentes e que já levou inclusive o Manchester United a ponderar apresentar uma queixa à UEFA caso o assédio permaneça.

O impacto destes dois fenómenos juntos (media e Cristiano Ronaldo) só poderia ser bombástico. As conversas do defeso estão monipolizadas por uma história sem fim à vista. Enquanto isso, Cristiano continua concentrado no estágio da selecção nacional em Viseu, a preparar-se para a fase final do Euro 2008, onde será cabeça de cartaz, onde vai ter todos os olhares em seu redor.

O fim desta novela parece-me óbvio, e terá apenas um beneficiado. O próprio Cristiano Ronaldo...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Continua de azul


Depois de Londres, Milão, depois do Chelsea, o Inter. Ao que tudo indica, José Mourinho vai continuar a vestir de azul na temporada 2008/2009. Depois de meses longe dos grandes palcos, pelo menos naqueles de quatro linhas, o nosso Jose vai prosseguir a sua carreira no histórico italiano, vencedor das últimas 3 edições do campeonato italiano, uma delas na 'secretaria'.

Um desafio à altura daqule que é considerado unanimamente como o melhor treinador de futebol do momento, mas que não deixa de ser arriscado. Ora vejamos. Pela primeira vez José Mourinho não se vê obrigado a montar uma equipa, a recuperá-la e a recolocá-la no rumo das vitórias. Foi assim na breve passagem pelo Benfica, sucedeu o mesmo no FC Porto (o clube estava a passar pela sua pior fase das últimas duas décadas) e assim continuou no Chelsea, onde alcançou um feito sem precedentes. Basta relembrar que até à - arrasadora - chegada do técnico português, o Chelsea apenas havia vencido o principal campeonato inglês por uma única vez! Em 3 épocas, Mourinho venceu a competição por duas vezes.

Voltemos ao desafio. Nos últimos anos Mourinho demonstrou ser um expert a transformar jogadores médios em estrelas do futebol mundial. Ricardo Carvalho, Deco e Drogba são apenas três exemplos e muito devem ao técnico de Setúbal. Desta vez Mourinho não tem o aliciante de fazer 'impossíveis'. O Internazionale é reconhecidamente a melhor equipa do calcio da actualidade, sendo esta hegemonia inquestionável. Como reforços falam-se em Lampard, Deco e no avançado costa-marfinense, porventura os melhores jogadores do FC Porto e Chelsea, aquando da sua passagem pelos dois clubes.

No passado Mourinho não apostou em jogadores consagrados, muito pelo contrário. Foi até pública a sua insatisfação pelas contratações de Ballack e Shevchenko pelo clube blue. Quererá agora Mourinho reunir-se dos 'seus' para vingar no clube nerazzuri? A margem de erro é escassa. Vencer a Liga dos Campeões é a grande prioridade de Moratti, mas é sabido que vencer essa competição depende de mais pormenores do que propriamente a qualidade de uma equipa. Não vencer a Liga italiana pode agitar as bancadas do Giuseppe Meazza.

Não se afigura fácil este desafio. E como se sabe, 'pela melhor boca morre o peixe'. É que para o ano, as declaraões corrosivas de Mourinho sobre o desempenho de Avram Grant, seu sucessor no comando do Chelsea, vão estar bem vivas nas memórias das línguas mais afiadas. Mas como todos sabemos, se há alguém que gosta destes desafios, é precisamente José Mourinho.

domingo, 25 de maio de 2008

O nosso Pelé


De Guimarães para Milão, da Liga Vitális para o Calcio, do Vitória para o poderoso Inter.

Pelé é mais em talento português a despertar que passou despercebido em Portugal. Em 2006/2007, não sendo titular em Guimarães, as suas qualidades despertaram a cobiça do gigante italiano, onde militam Figo e Maniche. Lentamente, conseguiu impôr-se, terminando a temporada a jogar com regularidade, contribuindo para a conquista do 3º scudetto consecutivo. Na final da Taça, frente à Roma, também deixou a sua marca. Entrou logo após o intervalo e marcou o único golo da sua equipa, não evitando contudo a derrota por 2-1. Um jogador que promete mais para a próxima temporada, quiça sob o comando técnico de José Mourinho, o treinador mais falado para suceder a Mancini.

Para a história fica mais um título para um português no estrangeiro. Antunes, tal como Pelé, é um jovem a brilhar nos melhores campeonatos. Mesmo não tendo actuado, a Taça de Itália já faz parte do seu historial. Figo (lesionado), Maniche (não actuou) e Pelé contemtam-se com o campeonato.

Uma nota final para Pauleta. No jogo de despedida do PSG, o avançado açoriano saiu derrotado da final da Taça de França frente ao Lyon. Govou marcou no prolongamento o único golo do jogo, acabando com o sonho de Pauleta, considerado o 2º melhor jogador de sempre do clube parisience, onde também o técnico português Artur Jorge ja foi feliz.

O futuro do açor permanece um dilema. Todos os cenários estão em aberto. Terminar a carreira ou, eventualmente, regressar a Portugal e terminar a carreira no principal campeonato português, onde nunca actuou...

sábado, 24 de maio de 2008

Chegou o 'defeso'




Estava tudo calmo, as atenções viradas para o estágio de preparação para o Euro 2008 que a selecção nacional está a realizar em Viseu. Ontem até chegou Cristiano Ronaldo e restante contingente inglês para se juntar ao grupo.

Mas eis que, apenas uma semana depois da final da taça de Portugal e do consequente encerramento das competiçoes oficiais da época 2007/2008, chega o 'defeso'. Trata-se de uma época entre épocas, se assim se pode dizer. A época da secretaria, do futebol jogado fora das quatro linhas, nos seus bastidores, alimentada pelos órgãos de comunicação social e pelas manchetes diárias com novos jogadores.

No Benfica, consumada que parece estar a ligação a Quique Flores, já começaram a surgir nomes de jogadores para a próxima época. O Record avança com Caneira (defesa central/defesa lateral) e Carlos Martins (médio ofensivo), A Bola fala em Gouffran (médio direito) e, finalmente, O Jogo destaca Albelda (médio centro). Esse mesmo, o internacional espanhol proscrito no Valência pelo nosso conhecido Koeman, que até aí se havia afirmado como um dos 'esteios' da equipa ché, tendo conquistado o estatuto de capitão de equipa. Para já, muita especulação e pouca assertividade. No entanto, alguns desses nomes preenchem lacunas assinaláveis. Médio centro, defesa-central, extremo-direito. Faltam, no meu entender, um avançado móvel e um lateral direito. Certo certo para já, apenas o médio Rubem Amorim (ex Belenenses).

O FC Porto, como sempre, já se antecipou na matéria das contratações. Rolando (defesa-central), também ex Belenenses, está assegurado. Continua o interesse pelo mercado argentino. Depois de Lucho, Lisandro, Bolatti e Mariano, seguem-se Tomás Costa (médio centro) e Nelson Benitez (defesa lateral). Resta saber se um deles não virá colmatar a saída de 'El Comandante' Lucho Gonzales, assediado em Madrid e por essa Europa fora, não fosse ele o melhor jogado a actuar em Portugal. Ano após ano, ou época após época, como queiramos, Pinto da Costa faz questao de demonstrar aos 'vizinhos' do Sul como se arruma a casa...

Em Alvalade, tal como na temporada anterior, tudo calmo. Fala-se em regressos e renovações. Não há surpresas. Para ja, apenas Rochemback está garantido. Um regresso a uma casa que bem conhece e onde foi protagonista nos melhores e nos piores momentos. José Peseiro que o diga. As expectativas são altas para aferir a que nível vai apresentar-se o brasileiro, depois de uma passagem pelo futebol inglês, onde não conseguiu afirmar-se.

Aguardam-se pelos próximos episódios de uma novela que dura pelo menos até 1 de Setembro, precisamente a data em que termina o período de inscrições.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Quique desvia atenções


Numa altura em que a selecção portuguesa está reunida em Viseu e acaba de receber os jogadores em falta (Ronaldo, Nani, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira), que integram o grupo após depois de disputarem a final da Liga dos Campeões, o cargo de treinador do Benfica continua a dividir atenções ou mesmo a desviá-las.

Hoje é notícia nos 3 diários desportivos que o espanhol Quique Flores está a cominho da Luz, estando o processo de negociações praticamente encerrado. Passará a ser o segundo espanhol a orientar o Benfica desde que Filipe Vieira lidera o clube. Esta é a opção que reúne maior consenso. A seguir a Mourinho e Trap (pelos resultados), este é o nome que mais me entusiasma. Juventude, ambição e conceitos modernos são predicados daquele que fez excelentes campanhas à frente do Getafe e do Valência e que é visto como um dos técnicos mais promissores do país vizinho. Encerrado o dossier treinador começará o dossier jogador(es). Adivinham-se novelas, novelas e mais novelas...

Na Beira Alta aumenta o sonho português. Scolari já iniciou a comunicação psicológica. Trata-se de um expert na área da motivação, união e espírito de sacrificio. Até mais que na área técnica e táctica, coimo ficou provado na fase de qualificação. Nos momentos chave, Scolari aparece, dá a cara e assume a liderança, qual Felipão ou comandante da nau portuguesa a caminho da Áustria e Suiça...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

E agora Felipão?


Terminados os campeonatos europeus eis o Euro 2008! Não há 'defeso' mais animado que aqueles que contam com grandes competições. Afinal temos mais 1 mês de futebol, e de alto nível.

A selecção portuguesa, á semelhança das suas congéneres, já se enconra reunida. Em Viseu prepara-se para grandes testes que se avizinham na Áustria e Suiça. Dias de paz e esperança que apenas mascaram o caminho tumultuoso e estranhamente sofredor que esta equipa percorreu até conseguir, apenas na última jornada, o apuramento. A convocatória trouxe a primeira surpresa, a ausência de Maniche. Uma escolha a rever... até porque não há médios entre os 23 com as características que o, agora, jogador do Inter apresenta.

Conservador, Scolari refugia-se no núcleo duro para a acomposição da equipa. As primeiras complicações podem começar por aí mesmo. Será Ricardo, actualmente, a melhor escolha para a baliza. Na mesma situação estão Petit, Deco, Simão, Nuno Gomes... Não restam dúvidas de que as hipóteses de sucesso estão directamente ligadas com as primeiras escolhas de Felipão.

Está na hora de assumir riscos. A juventude marcada desta selecção não pode servir como desculpa ou inibição. Afinal, entre os 23 jogadores, 5 são campeões europeus e quase todos eles já experimentaram o sabor das grandes conquistas.

A qualidade e a competência é do melhor que existe por esse mundo fora. Depois de Rui Costa e Figo é hora de novos líderes aparecerem e fazerem a diferença. Scolari tem um plantel brilhante à sua disposição e mais uma grande oportunidade para voltar a vencer uma grande competição.

Não há ilusoes, Portugal é um dos favoritos à vitória final, ou não fossemos nós 'Heróis do mar'. Mas é no campo que os jogadores terão de justificação essa condição.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Indefinições


O futebol é assim mesmo. As épocas começam com ilusão e terminam com indefinição. O futebol português não é excepção, veja-se o caso dos '3 grandes'.

Benfica inundado de dúvidas, à procura de si próprio, vivendo das glórias do passado e do descontentamento dos seus adeptos com o presente. Mais que desportivo, o problema é sobretudo estrutural. É necessário estabilidade e equílibrio em todas as secções do clube, isto se se pretende unir as facções. Identidade procura-se. Começo pelo treinador. Depois de Eriksson, são apontados agora nomes como Quique Flores, Laudrup e... Zico (anuncia hoje o Record). O espanhol parece-me o mais ajustado. Jovem, ambicioso e 'amante' da táctica, será o técnico ideal para um projecto de longa duração onde poderá inclusive desempenhar funções de manager, à boa moda britânica. Tudo em aberto. E pensando com optimismo pior que a última época afigura-se como impossível!

Veja-se o Sporting. Uma época aflitiva, bem à imagem do seu rival do outro lado da 2ª circular, que já mereceu honras neste post. à excepção dos factos. 2º lugar na Liga (acesso directo à Liga dos Campeões), vitórias na Taça e na Supertaça e final perdida na novel Taça de Liga. Resultado: 2 títulos e alma nova depois de derrotar o campeão FC Porto na final da Taça. No entanto, não sobram dores de cabeça a Paulo Bento. Longe de convencer os adeptos mais cépticos, bem como os intermédios, debate-se com as posíveis saídas de duas jóias da coroa (Moutinho e Veloso), a 'birra' (ainda não esclarecida) de Vukcevic e o pior de tudo: conseguir tornar o Sporting numa equipa consistente, regular. Isto significa passar a ser considerado um treinador de eleição e não o jovem técnico que abraçou a equipa em tempos de crise...

Derrotas frente ao Nacional em casa e na final da Taça. É este o cenário dos últimos 3 jogos oficiais do FC Porto. Depois de andar nas nuvens, Jesualdo voltou a descer à terra. O professor é aquele que se debate com menos problemas mas é também aquele que mais problemas poderá vir a ter. Passo a enumerar: 1º manter os principais jogadores (Lucho, Lisandro, Quaresma); 2º manter o nível competitivo e anímico depois de anos de vitórias; 3º chegar longe na Liga dos Campeões. Estes factores menos positivos não afastam a maior das verdades. O FC Porto tem neste momento a melhor equipa, assente numa estrutura organizada e de sucesso.

Indefinições são 'rabiscos' do futebol, fazem parte. As grandes equipas são aquelas que transformam indefinições em ambições, sujeitando-se à mudança não perdendo a liderança interna, utilizando esse valor para vingar no mundo do futebol.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Será Eriksson?


Depois de Queirós, Peseiro, Scolari, Zaccheroni, Malesani, Lippi, Quique Flores, entre outros... eis que surge um nome com consistência para assumir o comando técnico do Benfica: Sven Goran Eriksson. Isso mesmo! O sueco que já treinou o clube encarnado por duas vezes, conquistando 3 campeonatos, 1 taça e uma supertaça, a juntar a uma final da UEFA...

Títulos que não se ficam por aqui, e que marcam a sua carreira. Destaque para a passagem pela Lázio, Itália, onde conseguiu 1 calcio, 2 taças nacionais, 1 taça das taças (competição entretanto extinta) e 1 supertaça europeia.

Confesso que o seu nome não é aquele que mais me agrada, mas não deixo de ficar indiferente dado a sua ligação de sucesso ao clube. Mas esta situação também aconteceu com Camacho e Toni...

No entanto, são muitos os pontos positivos a destacar. A propalada duração do contrato (3 épocas), a qualidade e competência inquestionável, o carinho pelo Benfica e a promessa de reforços de qualidade (se assim não o for, seguramente Eriksson não virá). Outro aspecto que me agrada é o possível regresso de Mozer, um nome a reter.

Espera-se que os muitos anos de carreira, títulos e intrigas com os media não tenham desgastado o mister Sven. Um projecto de longo prazo, com características de 'manager', adequa-se na perfeição ao técnico sueco e poderá trazer novos ventos.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Política de contratações (des)ajustada


Makukula reclama minutos de jogo, reclama utilização regular, reclama o estatuto que o custo da sua contratação (4 Milhões de Euros) lhe deveria proporcionar.

Não colocando em dúvida as qualidades do internacional português, ainda hoje me questiono sobre o porquê da sua contratação. Se já conta com Cardozo, necessita o Benfica de mais uma presença forte na área ou de um avançado móvel? A resposta parece-me óbvia depois da saída - não compensada - de Miccoli para o Palermo.

Este factor, por si só, evidencia o quanto é indispensável uma política de contratações forte, capaz de equilibrar o plantel, favorecendo o colectivo e os jogadores que o compõem. É nesta base que Rui Costa tem de começar a trabalhar. É necessário 'arrumar a casa'. Para já, Rúben Amorim está confirmado, Jorge Ribeiro bem encaminhado... mas não chega.

Importa segurar os jogadores mais importantes, como é o caso de Rodriguez, e fazer contratações criteriosas, que funcionem como uma mais valia para a equipa. Filipe Vieira tem a palavra e mais uma oportunidade para desviar de si os olhares cépticos que têm vindo a aumentar ao longo dos tempos.

"Só estou bem aqui é a jogar", afirmou Makukula! São estas manifestações de desagrado que uma política de contratações coerente tende a diminuir.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sonho verde pesadelo encarnado


Um final de época penoso... A uma jornada do fim da Liga 2007/2008, o Benfica encontra-se em 4º lugar, depois de mais um empate, desta vez na Reboleira, frente a um Estrela que já assegurou a manutenção e que vive afundado em problemas financeiros, cujos principais prejudicados são os bolsos dos seus futebolistas.

Na Mata Real, o Sporting cumpriu os mínimos, venceu e consolidou o segundo lugar, depois do empate do Vitória de Guimarães em Belém, frente ao Belenenses. Yannick aparece em grande forma depois de debelada a lesão e promete... Uma evolução a rever... na próxima época.

No Dragão, finalmente, o Porto desacelerou e saiu vergado a uma derrota por 3-0 frente ao Nacional da Madeira. Fábio Coentrão foi a grande figura, para gáudio dos adeptos benfiquistas. Mais uma evolução a rever... na próxima época.

O futuro do Benfica continua em discussão. O final da época aproxima-se e só se afigura um momento feliz. O final de carreira de Rui Costa merece ser aplaudido de pé no Estádio da Luz! Um talento e um exemplo a ter em conta... na próxima época.