terça-feira, 18 de novembro de 2008

Campeão das arábias


No Egipto mora um português de sucesso. Trata-se do treinador Manuel José, que venceu na última semana a Liga dos Campeões Africanos pela quarta vez. Um feito inédito de um técnico que desenvolveu em Portugal uma carreira extensa, marcada pela passagem pelo Boavista e pelos grandes de Lisboa, Benfica e Sporting. Uma carreira cujo ponto mais alto resultou na conquista da Taça de Portugal e pela célebre vitória por 7-1 frente ao benfica, então ao serviço dos leões.

No principio do século rumou ao estrangeiro, uma situação que se tem tornado habitual entre os treinadores portugueses. No Cairo (Egipto) assumiu os comandos do Al Ahly, um histórico clube africano até aí na sombra pelo Zamalek. Sol de pouca dura... ou será sombra de pouca dura. O Cortton Sport (Camarões) foi apenas a última vítima dos egípcios. Sob a batuta do 'Manel', o Al Ahly venceu 17 títulos em 18 finais (!), acumulando conquistas no campeonato egípcio, na Taça e na Liga dos Campeões de África.

Um caso de sucesso que merece todo o destaque. No Egipto, Manuel José merece mais do que o reconhecimento pelos seus feitos profissionais. Merece o título de embaixador dos treinadores portugueses em África, funcionando como uma 'muleta' para o mercado português, cada vez mais exportador. Segue-se o Al-Ittihad, campeão da Ásia, desta vez para o Campeonato Mundial De Clubes, em Dezembro . Na competição marcam também presença o Liverpool (vencedor da Liga dos Campeões Europeus), o São Paulo (vencedor da Copa dos Libertadores), o Saprissa (Concacaf) e o Sydney (Oceânia).

Manuel José entre a elite do futebol mundial com o 'seu' Al Ahly.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

'Ramos' de flores para Redknapp


Chicotada psicológica é uma expressão sobejamente utilizada no futebol. Retrata a demissão de um treinador como um impulso para um novo ciclo, que se quer vitorioso e longe dos resultados negativos que originaram o despedimento. Por vezes funcionam, por vezes nem tanto assim.

A Premier League de Inglaterra assiste actualmenete a um desfecho feliz da tomada de posição referida. Veja-se o Tottenham, um caso impressionante. Decorridas oito jornadas, a equipa londrina apresentava resultados sem precedentes no seu historial: 2 empates e 6 derrotas na Liga. Trajecto negativo que levou à saída do galardoado técnico espanhol Juande Ramos, vencedor da FA Cup em 2008, depois de conquistas relevantes no Sevilha, seu anterior clube.

Desde então, mais propriamente a 26 de Outubro, teve início um novo ciclo. Dezoito dias depois eis o saldo de seis jogos: 5 vitórias e um empate (conseguido no reduto do grande rival Arsenal, também no norte de Londres). Máximo responsável: Harry Redknapp, que, curiosamente, assumiu o comando do histórico emblema inglês após uma derrota por claros 3-0 em Braga, para a Taça UEFA, então ao serviço do Portsmouth.

Notável o efeito de um despedimento nas capacidades físicas e anímicas de toda uma estrutura de futebol, com especial enfoque nos jogadores. Trata-se de um começar de novo, de um reavivar da esperança, com as forças regeneradas e bem direccionadas, se bem me faço entender.

Redknapp é um técnico inglês conceituado, que subiu na carreira a pulso, depois de um passado discreto como jogador. Aos 61 anos conta com apenas com um título relevante, a League Cup, conquistada pelo Portsmouth na última temporada, frente ao Cardiff City. Um treinador cordial, com capacidade para devolver tardes com golos ao estádio White Hart Lane, sedento de vitórias. Chegado ao ponto mais alto da sua carreira, o tio de Frank Lampard não quererá decerto desperdiçar a oportunidade de brilhar no 'grande' Tottenham, que conta com um historial vasto a nível interno (2 campeonatos, entre outros títulos), e ainda duas vitórias na Taça UEFA.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Futebol de terceiro mundo e sem 'Estrela'


Lito Vidigal demitiu-se da posição de treinador do Estrela da Amadora e escreveu mais uma página negra no futebol português. Uma decisão corajosa, sustentada em quatro meses de salário em atraso e por uma pressão psicológica fortíssima. É ele o treinador, o 'líder' de uma equipa de profissionais com ordenados em atraso, em que algumas das situações de incumprimento mais drásticas arrastam-se desde a época passada!

Como é possível? Perguntamos todos nós a António Oliveira, presidente Estrelista. Esta é uma situação recorrente que, pelo menos publicamente, teve início na época passasa. Para esta temporada, o clube fez questão de dar mostras de boa saúde financeira, tendo contratado jogadores como o internacional português Vidigal (irmão do treinador) e Silvestre Varela (emprestado pelo Recreativo de Huelva).

Os problemas avolumaram-se e resultaram no cenário catastrófico e decadente que hoje se assiste. Ao contrário de Daúto Faquirá, técnico do Estrela na última temporada, Lito Vidigal assumiu a sua posição e a do grupo que 'dirigia', apresentando a demissão. Resta saber se esta tomada de posição será responsável para resolver, pelo menos, parte do problema.

Ora aí está um exemplo de péssima gestão e, sobretudo, de concorrência desleal. Enquanto alguns clubes planeiam ao detalhe época após época, clubes como o Estrela 'abusam' da boa vontade de todos para conseguirem os seus intentos. Mas estou certo que muitos outros clubes estarão na mesma situação.

A crise chegou ao futebol profissional e as próximas épocas terão, forçosamente, de trazer muitas modificações, sob pena de o futebol português se tornar moribundo. É tempo de a Liga de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol alterarem os seus estatutos e encetar uma regulamentação mais rígida, para evitar o pior.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O 'penta' de Sebastien Loeb


Um francês ao volante de uma 'máquina' francesa. Com o seu Citroen C4 (que substituiu o Xsara), Sebastien Loéb alcançou um feito histórico na história do WRC. Cinco vitórias consecutivas na prova rainha de rally superaram a marca de Tommy Makkinen.

Hoje é reconhecidamente considerado o melhor piloto de sempre. O rally agradece e o automobilismo também. Já são 46 vitórias, uma delas no asfalto português, no 41º Vodafone Rally de Portugal, em 2007.

O mestre já nos deixou a sua marca.

Um vencedor anunciado


Uma falsa partida e uma curva final gloriosa. São estes os dois momentos de destaque na carreira do inglês Lewis Hamilton desde que chegou à elite do automobilismo, aos restritos volantes da F1. Coincidência das coincidências, ambos os momentos aconteceram no circuito de Interlagos (Brasil) e na última corrida da época. Se o primeiro acabou em dissabor, o segundo terminou com o título de campeão mundial.

Um feito inédito para alguém com a sua idade. Aos 23 anos, e apenas na segunda época de F1. Bem novo, mas já há muito seguido por Ron Dennis, patrão da McLaren Mercedes, que lhe proporcionou a entrada na prova rainha automóvel pela porta grande, em 2007.

Hoje soma um registo impressionante na sua curta carreira. 9 vitórias em 35 corridas, 13 poles. Um legado que promete mais e mais, quem sabe já para 2009, onde permanecerá fiel à McLaren. Um vencedor da humildade mas também da ambição e do talento. Uma mistura explosiva já se vê.

Uma ambição incutida pelos pais, de origens humildes mas de espírito nobre. Uma ambição anunciada com apenas 10 anos, e diante do próprio Ron Dennis, no final de uma corrida: 'Um dia quero conduzir para ti!'

Teatro turco em plena Luz


Quais marionetes estiveram esta noite vestidos de encarnado e preto no Estádio da Luz. O Benfica de Quique Flores foi completamente manietado pelos turcos do Galatasaray e averbou a primeira derrota dentro de portas desde que o técnico espanhol assumiu o comando técnico.

Depois de um promissor empate em Berlim na primeira jornada, frente ao Hertha, esperavam bem mais da equipa os 46 mil adeptos benfiquistas que se deslocaram ao estádio. Sedentos de uma vitória que colocasse a sua equipa na frente do grupo B da Taça UEFA, acabaram por voltar a casa com uma derrota por 2 golos sem resposta, também sem apelo nem agravo.

Hoje, os bem 'arrumados' turcos, com o internacional português Fernando Meira a titular, ofereceram um autêntico 'banho' táctico e souberam explorar o contra-ataque e as debilitadas 'costas' da defesa encarnada. Depois de sofrer o primeiro golo, Quique não se fez rogado e colocou toda a 'carne no assador', terminando o jogo com Martins, Aimar, Suazo, Di Maria e Cardozo na equipa. Mas nem essa ousadia táctita alterou a estranha apatia e desinspiração espalhadas pelo relvado pelos jogadores da casa.

No final dos 90 minutos apenas uma certeza era inquestionável. A superioridade da formação turca e a justiça no resultado. E foi necessário esperar pelo final do jogo para assistir ao momento mais emocionante. Mesmo vergados a uma derrota, os adeptos que, teimosamente, permaneceram no estádio durante o doloroso tempo regulamentar, brindaram os jogadores com cânticos e palmas de incentivo. Confesso que nunca havia assistido a uma manifestação deste género no Estádio da Luz. Sopram ventos de mudança.