quarta-feira, 10 de junho de 2009

Florentino Pérez arrasa mercado

Na futebol, como na vida, tudo muda de um momento para o outro. Ao longo das décadas, o embrulho mantém-se (rectângulo relvado e duas balizas) mas o interior altera-se com frequência, renovando emoções, atracções e motivações. Numa altura de 'crise', as duas últimas épocas, principalmente, foram marcadas pela contenção de despesas e pelo debate de uma nova gestão económica para o futebol. Tectos salariais e a atribuição de um valor máximo para a transferência de jogadores são os temas mais importantes e em reflexão.

Até que reapareceu no seu seio Florentino Pérez. Esse mesmo que foi o responsável pela transição da expressão 'galácticos' para o futebol. Na primeira passagem pela liderança do Real Madrid, o dirigente começou a construir o seu dream team com a polémica contratação do português Luís Figo ao rival Barcelona, em 2000, até David Beckham, em 2003. Pelo meio Zinedine Zidane (2001), que ainda hoje perdura como a transferência mais cara de todos os tempos, e o 'Fenómeno' Ronaldo (2002).

Recentemente empossado como presidente do Real Madrid, Pérez não se deixou abater pela actual conjuntura económica e já resgatou Kaká ao AC Milan, pela quntia de 65M€. Como na era 'Galácticos', refugia-se no marketing e no merchandising para garantir o devido retorno financeiro para a instituição. Apresta-se agora para atacar David Villa (Valência), Ribery (Bayern Munique) e até... Cristiano Ronaldo (Man Utd). O clube inglês blindou o craque português nos 96M€. Mas com Pérez nunca se sabe... Aguarda-se um defeso agitado em Espanha.

Por essa Europa fora já foram muitos os milhões gastos. Diego (ex FC porto) custou 24,5M€ aos cofres da Juventus e Mario Gomez 30M€ ao Bayern Munique. Golpes de mercado que arrasam com a concorrência e colocam, mesmo em alturas dificeis, os principais países do futebol (Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha) na linha da frente para atacar os melhores, ou mais caros, jogadores do globo.

Escrevo uma última ressalva sobre a Lei Bosman. Permitiu, é certo, a livre circulação dos profissionais de futebol comunitários pela União Europeia. Mas, mal regulamentada, iniciou uma espiral de especulação económica sem limites, que tem centralizado o poder do futebol pelos países mais ricos, deixando à deriva os restantes, cada vez com mais e maiores dificuldades de ombrear com aqueles.

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