quinta-feira, 17 de julho de 2008

Aimar é reforço a sério


Pablo Aimar, internacional argentino, faz parte do restrito lote de jogadores que preenche o imaginário de todos os apaixonados pelo futebol. De fino recorte técnico e com talento de sobra, é um nº 10 por excelência, daqueles que já escasseiam na modalidade.

Depois de um longo período de negociações, conduzidos pelo novel director desportivo do Benfica, Rui Costa, a camisola 10 que havia ficado livre depois do abandono do 'maestro' não vai ficar orfã. O argentino é hoje apresentado no Estádio da Luz em horário nobre e com tratamento de estrela.

Aos 28 anos e depois de um período menos bom na sua carreira, marcado por uma meningite aguda e lesões musculares em série, Aimar tem uma oportunidae fantástica para se reencontrar consigo próprio. No Estádio da Luz reencontra o técnico Quique Flores, que o havia treinado no Valência, e uma equipa que luta por títulos todos os anos. Uma dose de motivação extra que nunca encontrou no seu anterior clube (Saragoça), recentemente despromovido à segunda divisão espanhola.

Aimar simboliza uma inversão de tendências que ameaçava eternizar-se no futebol português. Nos últimos anos a Liga nacional limitava-se a exportar talentos. Hoje contratou um grande talento, mundialmente reconhecido e que dispensa apresentações.

Se Aimar estiver bem fisicamente vai valer a pena voltar aos estádios.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Que Queirós está de regresso?


Está encontrado o sucessor de Scolari.
Carlos Queirós foi hoje apresentado na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como o novo seleccionador de Portugal. Contrato de 4 anos, onde acumulará as funções de seleccionador da principal equipa e supervisor das formações inferiores.

Numa análise a frio, o ex-braço direito de Ferguson no Manchester United tem duas missões: dar seguimento ao bom trabalho do seu antecessor brasileiro, mantendo a selecção nas maiores competições, e revitalizar as selecções mais jovens, algo feito com sucesso no passado.

Depois de uma saída tempestuosa em 1994, tecendo duras críticas à organização da FPF na altura, Queirós volta com outra maturidade técnica e táctica, fruto do excelente trabalho que desempenhou em vários clubes e países ns últimos 14 anos.

Mas que Queirós é este? Aquele que venceu dois campeonatos do mundo de sub-21 (Riade e Lisboa) ou aquele que teve uma passagem sem sucesso pelo Real Madrid, onde demonstrou não saber conviver muito bem com a crítica. Enfim, algo que já havia acontecido aquando da sua passagem pelo Sporting e pela principal selecção portuguesa.

Um facto é indesmentível: a competência enorme daquele que é, a par de José Mourinho, um dos melhores treinadores portugueses da actualidade, com um palmarés brilhante, suportado por pasagens por alguns dos maiores clubes mundiais.

Regressa Queirós, regressa um treinador português à selecção. O momento é de viragem, com a reformulação do seio da FPF devido à saída de Gilberto Madaíl.

E fica a pergunta. Mas que Portugal vai ser este?

terça-feira, 15 de julho de 2008

No 'meio' está a virtude


O calculismo e o equilíbrio voltaram ao futebol ocidental.
As transferências milionárias de pontas-de-lança, avançados, extremos ou alas deram lugar ao reforço do meio-campo. Aquela zona nevrálgica onde reside a estabilidade de uma equipa, onde se encontra o pêndulo decisor.

Veja-se o caso português. Para compensar a saída de Paulo Assunção, Jesualdo Ferreira contratou para o FC Porto Tomás Costa, Guarín e Rodriguez, fez regressar Fernando (brilhou no Estrela) e dá uma oportunidade ao ex-junior Tengarrinha. Esclarecedor e bem ao estilo do professor.

Se descermos até Lisboa a situação mantém-se. Mesmo com um meio-campo recheado, onde se incluem os internacionais Moutinho e Miguel Veloso, Paulo Bento não hesitou em devolver a bola ao brasileiro Rochemback (ex-Middlesbrough), sujeito à penumbra em terras britãnicas. Está lançada a concorrência no Sporting, com prejuizo para o jovem e talentoso Adrien, e quiça Romagnoli.

No outro lado da 2ª circular a situação é ainda mais notória. Carlos Martins, Yebda e Ruben Amorim reforçam o meio-campo do Benfica, juntando-se aos intocáveis Petit e Katsouranis, e ainda Binya e Nuno Assis. Filipe Bastos, Miguel Rosa e Nuno Assis também lá estão. Mais um, pode ser Aimar, está para chegar. Número excedentário que será reduzido decerto.

No futebol internacional passa-se o mesmo. Deco no Chelsea, Keita e Hleb no Barcelona, Lampard desejado pelo Inter de Mourinho... para citar apenas alguns.

Um lampejo de consciência ou a assumpção de uma verdade cada vez menos inquestionável. Uma equipa de estrelas só por si não ganha jogos. São necessário trabalhadores, carregadores de piano. Aqueles que são iguais a si próprios durante os 90 longos minutos. Lembro-me de Redondo (na foto), Guardiola, Paulo Sousa... Hoje vejo Xavi, Fabregas, Pirlo, Essien...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Frederico Gil, o 'Nadal' Português


Num país sem tradição no ténis, eis que aparece Frederico Gil, um tenista que tem marcado presença nos principais torneios mundiais da modalidade, entre eles os grand slams Roland Garros e Wimbledon, tendo conseguido atingir a fase final da competição em ambos.

O jovem português, natural de Sintra, está neste momento empenhado no Challenger de terra batida da Holanda. Isto depois de atingir as meias-finais do Torneio de Turim, onde se sagrou campeão em pares.

Ao longo da sua carreira já se bateu com alguns dos melhores executantes mundiais, casos do argentino David Nalbandian e de Roger Federer, aquando da participação deste no Estoril Open 2008. Uma série de bons resultados que demonstram a sua evolução e o colocam bem perto dos 100 primeiros do ranking ATP. É hoje 102º mas tem oportunidade de ascender ao grupo se fizer uma boa campanha no país das tulipas.

sábado, 5 de julho de 2008

'Le Tour' arranca hoje


Se há alguma prova que consegue fazer esquecer todos os escândalos que têm abalado o ciclismo é o Tour de France. A Volta à França em bicicleta é a prova rainha do ciclismo internacional e todos os anos desperta a atenção dos amantes da modalidade, que saem pelas ruas de França e aplaudem cada pedalada do vasto pelotão.

Mesmo orfã do campeão de 2007 (o espanhol Alberto Contador, devido aos problemas da equipa Astana), O Tour de 2008 não irá decerto decepcionar os seus fãs. Até chegar ao seu final, nos Champs Élysées, a prova vai percorrer toda a França, incluindo as montanhas desumanas dos Pirineus e Alpes.

Começa hoje a corrida pela tão desejada camisola amarela.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Federer e Nadal medem forças em Wimbledon


Previsivel ou não. Pelo terceiro ano consecutivo Roger Federer e Rafael Nadal vão encontrar-se na final do torneio de ténis mais antigo do mundo. Desde 1877 que Wimbledon reune os melhores tenistas do mundo nos seus relvados.

Enquanto que o tenista suiço procura a sexta vitória na prova, perseguindo o recorde de vitórias de Pete Sampras e da lenda H.L. Doherty, o espanhol Nadal procura o seu primeiro triunfo, dando seguimento na relva á vitória alcançada sobre a terra batida de Roland Garros.

No total de jogos efectuados entre os dois maiores tenistas da actualidade, Nadal tem uma vantagem de 12-7. Se retirarmos os confrontos na terra batida tudo muda. E a vantagem vai para o suiço, por esclarecedor 5-2.

Lançados os dados vamos aos factos. Federer é um talento nato, ao nível das maiores lendas da modalidade. Nadal é um talento suado, que cresce na carreira e na qualidade por força de trabalho árduo. Em suma, frente a frente estarão o 'relógio suiço' e a 'ganas espanhola'.

Na final feminina, também pela terceira vez, estará a família Williams. Em 2002 e 2003 levou a melhor Serena, a mais nova das irmâs. Desta vez Venus, que já exibe quatro vitorias em Londres, vai tentar levar a melhor e revalidar o título.

Em Turim é um português quem faz história. Frederico Gil já está na meia-final do torneio italiano. Se conseguir triunfar vai saltar da 110ª posição do ranking ATP para os melhores 100. Cada vez mais uma certeza do ténis nacional.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Onde páram os talentos?


No início de cada temporada de futebol, todas as equipas contratam e vendem jogadores. É a ópoca dos acertos no grupo de trabalho. Um 'outro' campeonato, jogado nos bastidores e que antecede as grandes competições que se avizinham.

A dança das contratações é limitada à bolsa de cada equipa de futebol. Nesta altura, as formações mais abastadas procuram os melhores entre os melhores. Se possível jogadores jovens mas já com uma maturidade competitiva acima da média. Jogadores que se imponham com facilidade.

Numa lógica de mercado desajustada e, fundamentalmente, mal distribuida, sobram para as restantes equipas outros nichos de mercado. Jogadores regulares mas consistentes, jogadores experientes e.... jovens promessas.

A foto do post ilustra bem o que acabo de escrever. Ronaldo, o avançado brasileiro catalogado como o Fenómeno, entrou na Europa não pela porta principal, mas para um clube renomado de um campeonato sem a expressão e a grandeza de Inglaterra, Espanha, Itália, ou mesmo Alemanha. No PSV Eindhoven (Holanda) teve tempo para se afirmar e a pressão adequada para explodir, acabando por se transferir para o poderoso Barcelona.

O jornal Record noticia hoje que o Benfica acaba de contratar a grande esperança do futebol uruguaio, Jonathan Urretavizcaya. Isto depois de na temporada passada ter adquirido os direitos desportivos de Freddy Adu (EUA) e Di Maria (Argentina), não esquecendo a promessa nacional Fábio Coentrão.

Vejamos um outro caso. O Sporting, como é público, contratou Postiga ao FC Porto. Contrapartidas para o FC Porto: compensação monetária e... Bruno Matias, uma das grandes promessas da equipa de juniores verde e branca, campeã nacional.

O futebol jovem é um mundo de fantasia, de promessas, sonho e glória. Mas é também um mundo obscuro, que incompreensivelmente acompanha o desenvolvimento da modalidade: o tráfico de jovens jogadores.

terça-feira, 1 de julho de 2008

'Defeso' de regressos


Quando algumas das principais figuras do campeonato português das últimas épocas abandonaram a Liga ou se preparam para fazê-lo (casos de Paulo Assunção e Quaresma, ambos do FC Porto), eis que outros jogadores regressam a um campeonato bem conhecido.

São eles Caneira e Carlos Martins, este último protagonizando a maior surpresa, transferindo-se para o Benfica. Formado no Sporting e apontado como uma das grandes promessas do futebol nacional dos últimos anos, 'apareceu' finalmente no Recreativo de Huelva (Espanha) na última temporada. Portador de inegável talento e personalidade contraditória, Carlos Martins tem pela frente o maior desafio da sua carreira.

No Estádio da Luz pode finalmente afirmar-se, confirmando as boas referências deixadas no campeonato vizinho, onde espalhou classe. Realizou 38 jogos (32 como titular) e regressou à selecção portuguesa, acalentando a esperança ser chamado por Scolari para representar Portugal no Euro 2008, o que nao veio a confirmar-se.

Marco Caneira é outro jogador formado em Alvalade de regresso ao futebol português. Volta ao Sporting depois de se desvincular - definitivamente - do Valência. Aos 29 anos, Caneira tem tudo para ser uma das grandes referências da equipa verde e branca, onde deverá afirmar-se com facilidade, impondo-se através da sua qualidade e profissionalismo. Um valor e uma 'polivalência' que Paulo Bento não irá de certo desaproveitar.