terça-feira, 15 de julho de 2008

No 'meio' está a virtude


O calculismo e o equilíbrio voltaram ao futebol ocidental.
As transferências milionárias de pontas-de-lança, avançados, extremos ou alas deram lugar ao reforço do meio-campo. Aquela zona nevrálgica onde reside a estabilidade de uma equipa, onde se encontra o pêndulo decisor.

Veja-se o caso português. Para compensar a saída de Paulo Assunção, Jesualdo Ferreira contratou para o FC Porto Tomás Costa, Guarín e Rodriguez, fez regressar Fernando (brilhou no Estrela) e dá uma oportunidade ao ex-junior Tengarrinha. Esclarecedor e bem ao estilo do professor.

Se descermos até Lisboa a situação mantém-se. Mesmo com um meio-campo recheado, onde se incluem os internacionais Moutinho e Miguel Veloso, Paulo Bento não hesitou em devolver a bola ao brasileiro Rochemback (ex-Middlesbrough), sujeito à penumbra em terras britãnicas. Está lançada a concorrência no Sporting, com prejuizo para o jovem e talentoso Adrien, e quiça Romagnoli.

No outro lado da 2ª circular a situação é ainda mais notória. Carlos Martins, Yebda e Ruben Amorim reforçam o meio-campo do Benfica, juntando-se aos intocáveis Petit e Katsouranis, e ainda Binya e Nuno Assis. Filipe Bastos, Miguel Rosa e Nuno Assis também lá estão. Mais um, pode ser Aimar, está para chegar. Número excedentário que será reduzido decerto.

No futebol internacional passa-se o mesmo. Deco no Chelsea, Keita e Hleb no Barcelona, Lampard desejado pelo Inter de Mourinho... para citar apenas alguns.

Um lampejo de consciência ou a assumpção de uma verdade cada vez menos inquestionável. Uma equipa de estrelas só por si não ganha jogos. São necessário trabalhadores, carregadores de piano. Aqueles que são iguais a si próprios durante os 90 longos minutos. Lembro-me de Redondo (na foto), Guardiola, Paulo Sousa... Hoje vejo Xavi, Fabregas, Pirlo, Essien...

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