
Lito Vidigal demitiu-se da posição de treinador do Estrela da Amadora e escreveu mais uma página negra no futebol português. Uma decisão corajosa, sustentada em quatro meses de salário em atraso e por uma pressão psicológica fortíssima. É ele o treinador, o 'líder' de uma equipa de profissionais com ordenados em atraso, em que algumas das situações de incumprimento mais drásticas arrastam-se desde a época passada!
Como é possível? Perguntamos todos nós a António Oliveira, presidente Estrelista. Esta é uma situação recorrente que, pelo menos publicamente, teve início na época passasa. Para esta temporada, o clube fez questão de dar mostras de boa saúde financeira, tendo contratado jogadores como o internacional português Vidigal (irmão do treinador) e Silvestre Varela (emprestado pelo Recreativo de Huelva).
Os problemas avolumaram-se e resultaram no cenário catastrófico e decadente que hoje se assiste. Ao contrário de Daúto Faquirá, técnico do Estrela na última temporada, Lito Vidigal assumiu a sua posição e a do grupo que 'dirigia', apresentando a demissão. Resta saber se esta tomada de posição será responsável para resolver, pelo menos, parte do problema.
Ora aí está um exemplo de péssima gestão e, sobretudo, de concorrência desleal. Enquanto alguns clubes planeiam ao detalhe época após época, clubes como o Estrela 'abusam' da boa vontade de todos para conseguirem os seus intentos. Mas estou certo que muitos outros clubes estarão na mesma situação.
A crise chegou ao futebol profissional e as próximas épocas terão, forçosamente, de trazer muitas modificações, sob pena de o futebol português se tornar moribundo. É tempo de a Liga de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol alterarem os seus estatutos e encetar uma regulamentação mais rígida, para evitar o pior.
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