segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inadaptado Quaresma


Este 'mustang', como László Bölöni lhe chamou, tem vontade própria. Dias bons e dias maus, dependendo do tempo...
Vamos falar de Ricardo Quaresma.

Em 2001, com apenas 17 anos, foi lançado às 'feras' no Sporting pelo citado técnico romeno, num encontro frente ao FC Porto. É caso para dizer que o destino estava traçado. Talento inquestionável, foi também apelidado de Harry Potter. Cedo despertou a cobiça dos grandes europeus.

Não espantou que chegasse ao Barcelona, apenas dois anos depois da sua estreia, e com um título de campeão nacional no currículo. Na Catalunha apagou-se, escondeu-se. Não se conseguiu adaptar. 22 jogos e apenas um golo. Voltou o apelo nacional. Incluído na transferência de Deco regressou a Portugal, mas desta vez para o FC Porto. Voltou o velho Quaresma, as assistências, os golos, a famosa 'trivela', os títulos... Voltou o sorriso.

Em três épocas na invicta coleccionou vitórias. E sempre como a figura maior. Entre elas três Ligas e a Taça Intercontinental (hoje Campeonato do Mundo de Clubes). Ainda jovem, voltou a despertar a cobiça dos grandes europeus. José Mourinho acreditou e levou-o consigo para o Inter de Milão, numa 'novela' que envolveu um braço-de-ferro até aos últimos momentos do mercado de trensferências do verão de 2008.

Fora de 'água', voltou a secar. Enredado no rigor táctico do futebol italiano não conseguiu deslumbrar, tendo mesmo recebido, mais do que uma vez, críticas públicas do técnico português. Diz-se por terras transalpinas que perdeu a confiança e entrou em ruptura com os adeptos nerazzurri.

Críticas essas que já vão longe, porque a esta hora já deve estar em Londres, para representar o Chelsea. Scolari também lhe dá uma oportunidade, também acredita. Resta saber se à terceira é de vez, e se Quaresma consegue afirmar-se no estrangeiro.

2 comentários:

Marta Monteiro disse...

Faz lembrar um Dani que nem a camisola 14 do Ajax soube aproveitar... é triste mas acontece!

Dr. Pitagoras disse...

Para mim, este insucesso tem dois motivos chave, por um lado, a estrutura mental do jogador e por outro lado o seu estilo de jogo.
Desde os primeiros dias em que vi despontar o Quaresma a minha opinião acerca dele sempre foi a mesma, tem uma tecnica incrivel, mas sem o estofo psicologico para ser um craque.
Hoje em dia, tão importante como ter uns bons pés é preciso também ter uma boa "cabeça". A pressão e a exigência são enormes e uma constante e existem pessoas que se tornam umas estrelas de um dia para o outro, sem estarem minimamente preparados psicologicamente.
São subidas demasiado vertiginosas que se não forem devidamente acompanhadas podem ser mal sucedidas.

Por outro lado, é um jogador extremamente instavel e que não nutre um especial gosto pelo jogo de equipa.
Olhamos para o Quaresma e vemos um jogador que anda o jogo todo escondido e de repente tem um rasgo de genio, mas que nem sempre o coloca ao serviço da equipa. Ele quer sempre fazer algo mais, nunca se contenta com uma finta...algo que para um treinador também tem limites.
Entre um jogador que tenha lampejos de genio, mas que os coloca ao seu serviço em vez da equipa e um outro jogador que tenha metade desse talento, mas que perceba e participe na mecânica de uma equipa, eu prefiro o segundo.
Longe vão os tempos, em que o futebol era só para a frente, hoje em dia é muito mais que isso!
Quantas vezes vimos o Quaresma lutar por uma bola?
Quantas vezes vimos o Quaresma a ajudar na defesa?
Quantas vezes vemos o Quaresma fazer tabelas com os colegas, em que ele é o passador e não o receptor?
Sei que ele faz muitas assistências, mas não é a isso que me refiro, falo de todo o processo de contrução de jogo, em que ele permanece ausente só aparecendo no fim.
Num campeonato com o nivel do português isto chega, mas para Espanha, Inglaterra ou Itália é preciso muito mais!

Lembram-se do Denilson? Sim esse que um dia chegou a ser o jogador mais caro do planeta, infelizmente via nele muito do que vejo no Quaresma: muito talento, mas falta o resto.

Abraço