segunda-feira, 23 de junho de 2008

Uma participação digna


Ultrapassada a fase de ressaca, é tempo de analisar com frieza a digna participação da selecção portuguesa de futebol no Euro 2008, que decorre na Áustria e Suiça e tem oferecido grandes espectáculos. Colocando de lado as duas jogadas de bastidores (novela de Ronaldo com o Real Madrid e timing do anúncio da saída de Scolari para o Chelsea) que envolveram a 'jornada' lusa, mas não descartando a sua interferência no rendimento do grupo, limito-me aos factos e ao jogo jogado.

Frente à Alemanha, Portugal não entrou bem e nunca conseguiu circular a bola - como tanto gosta. Com Ronaldo e Simão 'presos' pela táctica alemã e com Deco sem espaço para jogar, Portugal apenas conseguiu surpreender nos lances individuais, como bem exemplifica o golo apontado por Nuno Gomes, depois de uma das raras arrancadas de Ronaldo.

O resto foi superioridade alemã a vários níveis e uma eficácia alemã tão notável (3 golos em outras tantas ocasiões) quanto as desconcentrações da defesa portuguesa. Nos minutos finais a maior frescura física e o golo de Postiga empurraram Portugal para a frente, mas sem colocar em causa o controlo e domínio alemão.

Uma derrota que vale por isso mesmo, numa fase em que os detalhes ditam o sucesso ou o insucesso. Uma derrota que não retira mérito à selecção portuguesa e abre portas para o futuro. Uma equipa jovem mas de muito valor, que vai decerto continuar a brindar os amantes do desporto rei como o fez até ao jogo frente à República Checa. Falta apenas alterar mentalidades, ou este triste fado perdurará...

Referência final ao desenrolar da competição e uma constatação. Entre as grandes selecções restam apenas 2. Alemanha e Espanha. Sinal de equílibrio entre as selecções? Puro engano. Sinal de que os grandes jogadores são submetidos às maiores exigências durante uma época longa e não estão ao seu melhor nesta altura. Isto sem melindrar as restantes selecções e jogadores como Arshavin. Quem não conhecia o médio russo ficou decerto a conhecer...

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